Um dos momentos mais delicados na vida de uma família — o nascimento de um filho — tem acontecido, com frequência cada vez maior, fora do hospital. Em Santa Catarina, os partos realizados dentro de ambulâncias ou no meio do caminho até a maternidade já somam 854 apenas em 2025, de janeiro a outubro. O número é o maior registrado nos últimos quatro anos, segundo dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192).
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Em Blumenau, uma gestante que havia sido avaliada no hospital e liberada para repouso acabou entrando em trabalho de parto em casa. A tentativa de retorno ao hospital durante a madrugada, sob chuva forte, não teve tempo de se completar. O marido, Adriel da Silva, precisou parar o carro no acostamento e acionar o Samu. O primeiro bebê nasceu ali mesmo, antes da chegada da equipe. O caso, no entanto, envolvia uma gravidez gemelar (gêmeos) e o segundo bebê estava em posição pélvica, exigindo uma manobra emergencial logo após a chegada dos socorristas.
O atendimento, que aconteceu em Timbó no dia 5 de setembro, envolveu reanimação do segundo recém-nascido, que estava em parada cardiorrespiratória, estabilização do primeiro bebê e também da mãe, Bruna, que sofreu uma hemorragia e precisou ser reanimada. A ação foi realizada por uma equipe da Unidade de Suporte Avançado (USA), com o médico Fabrício Correia, a enfermeira Sofia dos Santos e o condutor socorrista Habinadab Silva. O desfecho positivo marcou a equipe e a família.
Nascimentos no caminho: realidade frequente no litoral
Na região litorânea, os municípios de Itajaí e Navegantes também aparecem entre os que mais registraram partos em ambulâncias em 2025. Até outubro, foram 44 nascimentos atendidos em Itajaí e 16 em Navegantes. Os números acompanham uma tendência estadual de partos inesperados, realizados por profissionais do Samu durante o trajeto ou dentro da própria ambulância, que se torna, temporariamente, sala de parto.
Essas situações, embora desafiadoras, seguem protocolos específicos. O enfermeiro Danilo Leite, da USA de Canoinhas, explica que o espaço reduzido e o movimento do veículo tornam o atendimento mais complexo, exigindo preparação prévia, avaliação dos sinais vitais da gestante e atenção constante para uma possível evolução rápida.
Em junho, um exemplo dessa realidade ocorreu na serra catarinense. A gestante Andriele, de Urupema, entrou em trabalho de parto dentro de um carro da Secretaria de Saúde. O parto foi conduzido inicialmente pelo condutor da USB, Thiago Pires, que precisou retirar o cordão umbilical do pescoço do bebê. A equipe da USA chegou em seguida, finalizou o atendimento e garantiu a estabilidade da mãe e da criança até o hospital.
Quatro anos de partos sobre rodas
Desde 2022, o Samu já contabiliza 3.449 partos atendidos fora do ambiente hospitalar em Santa Catarina. Desse total, 2.394 foram realizados pelas Unidades de Suporte Básico (USB), formadas por técnicos de enfermagem e condutores socorristas, e 1.055 pelas Unidades de Suporte Avançado (USA), com médico e enfermeiro.
Em 2025, até outubro, as USBs registraram 541 atendimentos, número semelhante ao de 2024 (536). As USAs, por sua vez, realizaram 313 atendimentos neste ano, um aumento de 18% em relação ao ano anterior.
Joinville lidera o ranking estadual, com 88 partos em 2025 e 119 no total dos últimos quatro anos. Também aparecem no topo da lista deste ano as cidades de Chapecó (59), Jaraguá do Sul (41), Lages (33), Itapiranga e Guaramirim (31 cada), Blumenau (28), Florianópolis (23) e Ponte Serrada (18), além de Itajaí e Navegantes.
Acolhimento que salva
Para a coordenadora operacional da Macrorregião Grande Florianópolis, Adriana Bueno, o acolhimento é uma parte essencial do atendimento de emergência. “Acolher é tão essencial quanto socorrer”, destaca, lembrando que o parto começa muito antes da chegada ao hospital e deve ser conduzido com empatia, respeito e segurança.
Atualmente, o Samu 192 conta com 44 Unidades de Suporte Avançado — entre equipes terrestres, inter-hospitalares e aeromédicas — e 104 Unidades de Suporte Básico espalhadas por todo o estado. Com uma média de mais de 800 partos por ano, o atendimento pré-hospitalar em Santa Catarina exige preparo técnico, respostas rápidas e, principalmente, humanidade.
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