sexta-feira, 17 setembro 2021
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“Partiu Blumenau, que Deus nos abençoe”, publicou a Fadinha do skate em 2015

Na época, a atual atleta olímpica foi campeã de uma competição catarinense. Veio de avião, mas voltou para casa viajando mais de 2,7 mil Km de ônibus, percurso feito em três dias.

Quando a skatista olímpica Rayssa Leal tinha 7 anos, veio para Blumenau competir pela Taça Santa Catarina de Skate Street Mirim 2015, que aconteceu no Shopping Park Europeu, entre os dias 31 de outubro e 1º de novembro.

O evento contou com a participação de 44 skatistas que vieram de várias partes do Brasil. Fadinha viajou 2,7 mil quilômetros, distância aproximada entre Imperatriz, no Maranhão, cidade com população estimada em 259.337 habitantes (IBGE 2020), e Blumenau.

E não foi nada fácil. A viagem do nordeste para o sul foi de avião, depois de uma campanha por meio de um site de financiamento coletivo. Mas a volta foi de ônibus, em cansativos três dias, conforme disse a mãe em uma entrevista ao portal R7.

Rayssa esteve no Green Place Skatepark, no bairro Garcia | Foto: Danilo Cunha Ferreira

A vitória no torneio, em sua modalidade, foi decisiva para participar de outra em nível nacional, que ocorreu no ano seguinte. Ainda em Blumenau, quem ficou em quarto foi a Manoela de Mafra, única representante blumenauense que ficou entre as primeiras na categoria feminina.

Já em 2019, Rayssa venceu a etapa do Mundial de Street, que foi realizado entre os dias 18 e 22 de setembro, em São Paulo (SP), pouco depois do Mundial de Park (10 a 15/09), ambos na mesma cidade. As competições eram essenciais para conseguir a maior quantidade de pontos na primeira janela da corrida olímpica.

A medalha de prata em Tóquio, a colocou na história da competição esportiva mais importante do mundo. Ela se tornou a atleta mais nova a representar o Brasil em Jogos Olímpicos, e a mais jovem medalhista das olimpíadas modernas desde 1928.

Que orgulho para os pais da adolescente de 13 anos, que foram os maiores incentivadores de sua carreira. Segundo a mãe, ninguém na casa de Rayssa tinha relação com o skate, e para e contavam com a doação de shapes (a base do skate). O dinheiro das rodinhas, roupas, tênis e outros equipamentos saíam do bolso do pai, que era vidraceiro.

O apelido surgiu depois de um vídeo virilizar na internet, em que mostrava a menina de 7 anos com uma fantasia de fada saltando por uma escada no centro de Imperatriz. A manobra chamou a atenção de Tony Hawk, o astro mundial do skate, que viu no twitter e compartilho o vídeo.

Foto: Wander Roberto [COB]
Ao conquistar a medalha, Rayssa também teve a oportunidade de abraçar uma de suas referências no esporte. A skatista brasileira Leticia Bufoni, que também está na seleção, bateu palmas quando viu a conquista da adolescente.

Quem sabe Blumenau, terra de referências esportivas como Ana Moser (vôlei), Teco Padaratz (surf), Duda Amorim (handebol) ou Tiago Splitter (basquete), tenha dado alguma sorte. Rayssa certamente será uma boa inspiração para tantos jovens dessa e outras gerações, de como persistência e talento, permitem saltos altos na vida. O maior deles, até agora, parou em Tóquio.

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