Quem já se deparou com um caso de maus-tratos sabe: o resgate é urgente, mas ele não resolve tudo. Depois que o animal é retirado da situação de risco, começa outra etapa igualmente importante — o tratamento.
Em Blumenau, essa segunda fase passou a contar oficialmente, desde 1º de janeiro de 2026, com o Hospital Escola Veterinário (HEV) da FURB. A mudança aconteceu após a assinatura de um contrato com o Centro de Prevenção e Recuperação de Animais Domésticos (Cepread), que é vinculado à Diretoria de Bem-Estar Animal e à Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).
Na prática, funciona assim: quando o Cepread realiza a apreensão de um animal e comunica o hospital, a equipe já se organiza para fazer o atendimento inicial. Os animais chegam ao campus 5 da FURB, no bairro Fortaleza Alta, muitas vezes debilitados. Alguns foram abandonados. Outros sofreram maus-tratos.
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O que é feito no hospital
O Hospital Escola Veterinário já atua há mais de 10 anos como espaço de aprendizado para estudantes do Centro de Ciências da Saúde e também como prestador de serviços à sociedade. Agora, soma a essa experiência o atendimento oficial aos casos encaminhados pelo município.
No local, os animais passam por avaliação clínica, fazem exames, recebem tratamento para lesões e, quando necessário, são submetidos a pequenas cirurgias. O trabalho envolve estudantes de Medicina Veterinária, médicos-veterinários residentes — participantes do programa de aprimoramento existente desde 2023 — e servidores da FURB. Tudo é acompanhado de perto por professores do Departamento de Medicina Veterinária.
Além de cuidar do animal, o hospital também emite laudos veterinários, documentos importantes para as investigações em casos de maus-tratos.
Um caso que ajuda a entender
Na semana passada, após denúncias feitas pela comunidade, a Diretoria de Bem-Estar Animal realizou uma grande operação de resgate. Parte dos animais foi encaminhada ao hospital.
Entre eles, um cão macho chegou em estado clínico muito precário, com uma lesão grave na orelha. A equipe fez o atendimento inicial para estabilizar o quadro e melhorar suas condições de saúde.
A Polícia Civil acompanhou o caso e instaurou inquérito contra o suspeito identificado como tutor do animal. Segundo a Delegacia de Proteção Animal de Blumenau, a legislação estadual determina que um animal vítima de maus-tratos não pode ser devolvido à pessoa que o mantinha nessa situação.
Antes do convênio com a FURB, definir o destino desses animais era um dos entraves nas investigações. Hoje, com universidade, prefeitura e Polícia Civil atuando em conjunto, o fluxo ficou mais claro: o agressor pode ser responsabilizado enquanto o animal recebe atendimento técnico adequado.
Atenção: o hospital não recolhe animais
É importante esclarecer: o Hospital Escola Veterinário não faz resgates nem recolhe animais diretamente.
Se houver suspeita de maus-tratos, o caminho é denunciar:
- Pelo telefone 156, junto ao setor de fiscalização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade;
- Pelo telefone 181, na Delegacia de Proteção Animal da Polícia Civil.
Somente após a atuação do poder público e o encaminhamento oficial é que o hospital realiza o atendimento dentro do convênio.
E para quem tem pet em casa?
O HEV também continua atendendo tutores de Blumenau e região de forma particular. Consultas, vacinas, avaliação de bem-estar e acompanhamento de doenças seguem disponíveis.
O atendimento é feito exclusivamente com agendamento prévio. Assim como nos casos encaminhados pelo município, estudantes e residentes participam dos atendimentos, sempre sob supervisão de professores.
No fim das contas, o que essa parceria faz é simples de entender: ela garante que, depois do resgate, exista cuidado técnico e acompanhamento adequado — algo que impacta diretamente a saúde dos animais e fortalece a rede de proteção da cidade.
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