A criança se inclina sobre o caderno, pede para sentar mais perto do quadro e chega em casa reclamando de dor de cabeça. No começo do ano letivo, cenas assim se repetem em muitas famílias — e nem sempre o motivo é falta de atenção ou desinteresse. Em boa parte dos casos, o que está por trás do cansaço é um problema de visão que ainda não foi percebido.
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Com o início das aulas da rede estadual de Santa Catarina em 19 de fevereiro, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia chama atenção para um ponto importante: a escola costuma ser o primeiro lugar onde a dificuldade visual da criança aparece de forma mais clara. Ler, copiar do quadro e acompanhar atividades exige esforço constante dos olhos — e quando algo não vai bem, o corpo dá sinais.
O tamanho do problema
Dados reunidos em estudos brasileiros indicam que 7,65% das crianças em idade escolar têm miopia. O cenário atual também inclui outro fator cada vez mais presente na rotina infantil: as telas. Um estudo publicado em 2025 na JAMA Network Open mostrou que cada hora extra por dia diante de celulares, tablets ou computadores aumenta em 21% o risco de desenvolver miopia.
Para a oftalmopediatra Dra. Thaís Surgik, o impacto não se limita às notas. Quando enxergar vira um esforço, a criança tende a ficar mais cansada, irritada e menos interessada por leitura e atividades visuais. A identificação precoce e o acompanhamento fazem diferença tanto na aprendizagem quanto no bem-estar.
A SCO também reforça números citados pela Sociedade Brasileira de Pediatria: erros de refração não corrigidos podem responder por até 69% dos problemas visuais na infância. Na América Latina, a estimativa é de 23 milhões de crianças com dificuldade visual relacionada à refração sem correção.
O que observar no dia a dia
Alguns comportamentos simples funcionam como alertas e merecem atenção de pais, responsáveis e educadores:
- Aproximar demais o rosto de livros, cadernos, celular ou tablet
- Dificuldade para enxergar o quadro, apertar os olhos para focar ou pedir troca de lugar
- Dor de cabeça frequente, ardor nos olhos e cansaço ao final do turno
- Falta de interesse por leitura e tarefas que exigem visão de perto ou de longe
- Irritabilidade no fim do dia e queda de rendimento sem explicação aparente
Quando o problema fica sem solução
Sem correção, a criança permanece em esforço visual constante. Além de dores de cabeça e fadiga, isso pode comprometer a participação em sala e o aprendizado. Do ponto de vista da saúde ocular, a miopia que avança e se torna alta aumenta, ao longo da vida, o risco de condições como descolamento de retina, glaucoma e catarata. Especialistas lembram que grande parte desses quadros começa com dificuldades simples, que poderiam ser corrigidas ainda na infância.
Orientações práticas para cuidar da visão
Algumas medidas ajudam a reduzir riscos e facilitam a rotina:
- Exame no tempo certo: sociedades médicas recomendam avaliação oftalmológica completa entre 3 e 5 anos, com novas consultas conforme orientação profissional.
- Acompanhamento regular: em crianças e adolescentes, o grau pode mudar; revisões periódicas permitem ajustar óculos ou lentes quando necessário.
- Mais tempo ao ar livre: brincar fora de ambientes fechados está associado a menor risco de desenvolver miopia.
- Cuidados no estudo: boa iluminação, distância adequada do material e pausas durante tarefas de perto ajudam a aliviar o esforço visual.
A Sociedade Catarinense de Oftalmologia orienta que sinais persistentes não sejam ignorados e que a criança seja encaminhada para avaliação oftalmológica completa. Para as escolas, a recomendação é tratar queixas visuais como parte do acolhimento no início do ano letivo. Identificar cedo pode evitar dificuldades maiores e tornar o aprendizado mais leve — para os olhos e para o dia a dia da criança.
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