Ouro histórico nos Alpes: Brasil sobe ao topo no esqui alpino pela primeira vez

Lucas Pinheiro Braathen vence o slalom gigante em Bormio e garante medalha inédita para o país nos Jogos de Milão-Cortina.

Foto: Rafael Bello [Comitê Olímpico Brasileiro]

O Brasil acordou tropical como sempre neste sábado (14/02/2026). Mas, a milhares de quilômetros das praias e do calor úmido, foi no branco absoluto dos Alpes italianos que o país viveu um momento inédito: a primeira medalha olímpica de inverno — e logo dourada.

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A cena aconteceu em Bormio, cidade cravada nas montanhas do norte da Itália, perto da fronteira com a Suíça. Ali, Lucas Pinheiro Braathen venceu o slalom gigante nos Jogos de Milão e Cortina e colocou o Brasil no topo do pódio em uma Olimpíada de Inverno pela primeira vez.

O esporte é técnico, quase matemático. O slalom gigante exige duas descidas por um percurso marcado por mastros fincados na neve — as chamadas “portas” — separados por cerca de 25 metros. O esquiador precisa cruzar entre eles em alta velocidade. Ganha quem somar o menor tempo nas duas tentativas.

Foto: Rafael Bello [Comitê Olímpico Brasileiro]
Lucas somou 2min25s. Foi o suficiente para terminar 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, prata na prova. O bronze ficou com outro suíço, Loic Meillard.

A vantagem começou a ser construída logo na primeira descida: 1min13s92 e liderança. Na segunda, marcou 1min11s08 — apenas o 11º melhor tempo daquela bateria. Mesmo assim, a combinação dos cronômetros garantiu que ninguém superasse o brasileiro.

Nascido em Oslo, na Noruega, filho de mãe brasileira, Lucas já conhecia o frio antes de conhecer o país que agora defende. Aos 25 anos, vive uma trajetória que parece roteiro pronto: competiu pela Noruega até 2023, ano em que anunciou que deixaria o esporte. Antes, em 2022, disputou a Olimpíada de Inverno de Pequim como atleta norueguês, mas não completou as provas que iniciou.

Em 2024, decidiu voltar. Procurou o Brasil. Em 2025, passou a representar oficialmente a terra natal da mãe. Vieram pódios históricos em etapas da Copa do Mundo de esqui alpino. E agora, o ouro olímpico em Bormio.

Até este sábado, o melhor resultado brasileiro em Jogos de Inverno era o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim, também na Itália, há 20 anos. Duas décadas depois, o país troca o quase pelo topo.

O slalom gigante não foi a única presença brasileira na montanha. Giovanni Ongaro, nascido em Clusone, na Itália, também filho de mãe brasileira, terminou na 31ª posição, com tempo total de 2min34s15.

E a agenda continua. Na segunda-feira (16), a partir das 6h (horário de Brasília), será disputado o slalom — versão mais curta e ainda mais ágil da prova, com portas a cerca de 13 metros umas das outras. Além de Lucas e Giovanni, o Brasil contará com o carioca Christian Soevik, filho de pai norueguês e mãe brasileira.

Para um país acostumado a falar de sol, areia e gramado, o sábado foi de neve e precisão. A medalha pode até ter sido conquistada no frio europeu, mas o impacto atravessa o mapa e chega quente ao Brasil.


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