Escondido atrás de uma conta falsa, alguém aparentemente acreditou que a internet era um lugar sem consequências. Não era. Na manhã desta quinta-feira (18/06/26), agentes do CyberGAECO cumpriram mandados em endereços residencial e comercial ligados ao investigado, em Tubarão, após conseguirem identificar quem estava por trás de comentários sexuais publicados contra uma criança de cerca de dois anos.
A investigação no Sul de Santa Catarina começou depois de uma denúncia anônima. O relato apontava que o responsável por mensagens de teor sexual explícito em uma rede social morava no estado. Os comentários foram publicados em uma postagem de uma influenciadora digital que mostrava os filhos.
Segundo o Ministério Público, o usuário utilizava um perfil falso para direcionar mensagens obscenas e sexualmente explícitas à filha da influenciadora. Apostou no velho roteiro do anonimato das redes sociais. Só esqueceu um detalhe: nem sempre um perfil falso é tão invisível quanto parece.
Diante da gravidade do caso, a 8ª Promotoria de Justiça da Comarca de Tubarão acionou o CyberGAECO. A força-tarefa especializada iniciou uma apuração preliminar com foco em inteligência cibernética e, em um trabalho rápido, conseguiu romper o anonimato da conta e identificar o verdadeiro responsável pelas publicações.
Com base no relatório técnico produzido pelos investigadores, a Promotoria pediu ao Poder Judiciário mandados de busca e apreensão. A autorização saiu e as equipes foram a campo para recolher dispositivos eletrônicos que podem guardar novas provas relacionadas ao caso.
De acordo com o MPSC, o investigado possui dois registros policiais anteriores por estupro de vulnerável e já foi indiciado por essas práticas no passado. A apuração também contou com apoio do Ciberlab, o Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
O nome da operação não esconde a proposta. Batizada de Exposed, expressão em inglês que significa “exposto”, “revelado” ou “desmascarado”, a ação busca justamente revelar quem acreditava estar protegido pelo pseudoanonimato das redes sociais enquanto publicava mensagens de conteúdo sexual explícito contra uma criança.
Durante o cumprimento dos mandados, o CyberGAECO recebeu apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina para garantir a preservação da cadeia de custódia das evidências arrecadadas.
Agora, os equipamentos apreendidos serão submetidos à perícia. Depois da elaboração dos laudos técnicos, as evidências voltarão a ser analisadas pelo CyberGAECO para dar continuidade às investigações conduzidas pela 8ª Promotoria de Justiça de Tubarão.
O procedimento segue sob sigilo. Novas informações poderão ser divulgadas quando houver autorização para publicidade dos autos. A operação faz parte da atuação permanente do Ministério Público catarinense no combate a crimes cibernéticos que atingem crianças e adolescentes. Porque, às vezes, a distância entre um perfil falso e um mandado judicial é bem menor do que parece.
O GAECO é uma força-tarefa do Ministério Público de Santa Catarina formada por integrantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. Já o CyberGAECO atua de forma especializada na prevenção, identificação e repressão de crimes praticados em ambientes virtuais.





