
Uma operação realizada na manhã desta quinta-feira (09/07/26) investiga um suposto esquema de fraudes em licitações para contratação de sistemas de gestão pública em municípios catarinenses. Batizada de Gaiola Digital, a ação apura suspeitas de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a Administração Pública.
Por determinação do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em Blumenau, onde está localizada a sede da empresa investigada, além de Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani. As medidas têm como objetivo reunir e preservar provas, incluindo documentos, equipamentos eletrônicos, registros digitais e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

As investigações são conduzidas pelo Núcleo de Forças-Tarefa da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC). O trabalho começou após informações obtidas em acordos de colaboração premiada firmados no âmbito da Operação “Et Pater Filium”, posteriormente confirmadas por um amplo conjunto de provas reunidas durante as apurações.
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado teria estruturado um esquema para direcionar licitações destinadas à contratação de sistemas informatizados em diversos municípios catarinenses.
A apuração aponta que o método envolveria contato prévio com agentes públicos, influência na elaboração dos editais e a inclusão de cláusulas que restringiriam a concorrência. Também teriam sido adotados critérios técnicos elaborados para favorecer previamente uma empresa, além do pagamento de vantagens indevidas para garantir a contratação, a manutenção e a renovação de contratos públicos.
Os investigadores também identificaram indícios de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre núcleos responsáveis pela articulação com agentes públicos, elaboração de documentos técnicos, operacionalização dos pagamentos ilícitos e movimentação financeira destinada a ocultar a origem e o destino dos recursos.

Outro ponto investigado é a suspeita de lavagem de dinheiro. Conforme o Ministério Público, saques fracionados e outras operações financeiras teriam sido utilizados para formar um caixa clandestino destinado ao pagamento de propinas. Somente entre 2022 e 2026, foram identificadas centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial regular, somando milhões de reais.
O nome Gaiola Digital faz referência ao ambiente tecnológico que, segundo a investigação, teria sido utilizado para restringir a livre concorrência em processos licitatórios voltados à contratação de sistemas informatizados para a administração pública.
O procedimento tramita sob sigilo e novas informações poderão ser divulgadas quando houver a publicidade dos autos.
O GAECO é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina e formada por integrantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. Já o GEAC reúne membros do MPSC especializados em investigações e ações judiciais de combate à corrupção em casos de maior gravidade ou complexidade.




