Operação investiga suspeitas de desvios em hospital de Gaspar (SC)

A ação do GAECO apura se houve contratos irregulares, movimentações financeiras ou um suposto esquema de corrupção entre 2021 e 2024.

Foto: GAECO/SC

Uma operação realizada na manhã desta terça-feira (28/04/26) mobilizou forças de segurança para apurar possíveis irregularidades na gestão do hospital público em Gaspar. Batizada de “Cashback”, a ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, vinculado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com base em investigação iniciada pela 4ª Promotoria de Justiça da comarca local.

O foco do inquérito é a contratação de uma empresa responsável por serviços médicos, que teria ocorrido de forma irregular. Além disso, há suspeitas de pagamentos indevidos com recursos do Fundo Municipal de Saúde ao longo do período entre 2021 e 2024.

Movimentações financeiras e suspeitas de ocultação

De acordo com o MPSC, os dados indicam que  valores podem ter sido desviados por meio de uma sequência de transferências financeiras, estratégia que dificultaria a identificação da origem do dinheiro. Também são analisados possíveis indícios de favorecimento em contratos, direcionamento de processos administrativos e pagamento de propina.

Outro ponto investigado envolve a possível ocultação de patrimônio. Há suspeita de aquisição de bens de alto valor em nome de terceiros, prática que pode ter sido utilizada para esconder recursos obtidos de forma irregular.

Aumento de gastos sem melhora no atendimento

As apurações tiveram início após denúncias relacionadas à administração da unidade hospitalar, que está sob intervenção do município desde 2014. O recorte principal da investigação se concentra a partir de 2021, período em que foi identificado um crescimento expressivo nas despesas com serviços médicos.

Segundo o MPSC, apesar do aumento nos gastos, não houve melhora proporcional no atendimento prestado à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), o que levantou questionamentos e reforçou a necessidade de aprofundamento das investigações.

Mandados e apoio de outros estados

Com base nos indícios levantados, a Vara Regional de Garantias da Comarca de Blumenau autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em locais ligados aos investigados. O objetivo é recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento do caso.

A operação contou com o apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina, responsável por garantir a preservação das provas coletadas. Também participaram equipes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil de São Paulo.

Nome da operação e próximos passos

O nome “Cashback” faz referência ao suposto método utilizado pelos investigados para viabilizar o esquema. Segundo apurado, o termo teria sido mencionado em negociações entre um empresário e um agente político, indicando retorno financeiro indevido vinculado a contratos.

As evidências apreendidas serão analisadas pelo GAECO, que dará continuidade à investigação para identificar responsabilidades e delimitar a atuação de cada envolvido. O procedimento segue sob sigilo, e novas informações devem ser divulgadas apenas quando houver autorização judicial.

É importante sempre lembrar que os investigados têm seu direito garantido de ampla defesa. Por isso, ninguém pode ser considerado culpado enquanto a Justiça não determinar. Por enquanto, trata-se de uma suspeita que está sendo investigada.

O que é o GAECO

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina. O grupo reúne profissionais da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, atuando na prevenção, identificação e repressão de organizações criminosas.

Nota da Prefeitura de Gaspar

A Prefeitura de Gaspar reitera que não foi previamente comunicada sobre a Operação “Cashback”, deflagrada nesta terça-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina.

Conforme já informado, os fatos apurados pela investigação referem-se ao período entre os anos de 2021 e 2024, ou seja, anteriores ao início da atual gestão. O Município tomou conhecimento da operação por meio da imprensa e, até o momento, não recebeu qualquer notificação oficial, questionamento formal ou detalhamento sobre eventuais envolvidos.

Desde o início de 2025, a Prefeitura de Gaspar adotou medidas para fortalecer a gestão do hospital, com a designação de profissionais técnicos e qualificados, priorizando critérios de competência, responsabilidade e transparência na condução dos serviços. A atual administração também vem promovendo ações voltadas à melhoria do atendimento e ao uso eficiente dos recursos públicos na área da saúde.

A Administração Municipal reforça que aguarda o contato oficial das autoridades competentes e se coloca à disposição para colaborar de forma integral com as investigações, prestando todos os esclarecimentos necessários.

Fontes: Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e Prefeitura de Gaspar (SC)


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