Uma operação realizada na manhã desta quarta-feira (1º/04/2026) em Lages (SC) colocou sob investigação um suposto esquema envolvendo servidores públicos da área da saúde e uma empresa funerária. A ação, chamada “Thánatos”, foi conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.
De acordo com o MPSC, a apuração foi feita pela 5ª Promotoria de Justiça da Comarca local e investiga um esquema estruturado de pagamento de propina. A suspeita é de que servidores públicos teriam sido beneficiados para favorecer uma funerária na captação de serviços junto a familiares de pessoas falecidas.
Com base nos elementos apresentados pelo Ministério Público — que ainda serão analisados ao longo do processo — a Vara Regional de Garantias autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados aos investigados. Durante as diligências, foram encontrados e apreendidos cerca de R$ 80 mil em dinheiro.

Segundo o MPSC, há indícios de que transferências bancárias compatíveis com pagamentos ilícitos teriam sido feitas a servidores públicos, o que levanta suspeitas de corrupção ativa e passiva. Também foram identificadas, conforme a investigação, comunicações frequentes entre funcionários da funerária e agentes públicos que teriam acesso a informações sobre óbitos.
Outro ponto apurado é o possível repasse antecipado de dados sobre mortes registradas em atendimentos do SAMU, no Hospital Tereza Ramos, em unidades de pronto atendimento e até em residências. Ainda conforme o Ministério Público, isso poderia ter permitido que representantes da funerária chegassem antes aos familiares, desrespeitando o sistema de rodízio municipal — mecanismo criado para garantir concorrência equilibrada entre empresas do setor.
As buscas tiveram como objetivo recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer como o suposto esquema funcionava, além de identificar novos envolvidos.
Todo o material apreendido será encaminhado à Polícia Científica para análise pericial. Depois disso, os dados retornam ao GAECO, que dará continuidade às investigações. O Ministério Público ressalta que o caso ainda está em fase inicial de investigação e tramita sob sigilo.
Isso significa que as informações divulgadas até agora são baseadas em indícios, que ainda serão analisados no decorrer do processo. Os investigados têm direito à ampla defesa e podem ser considerados inocentes ao final das apurações.
Origem do nome da operação
O nome “Thánatos” faz referência à figura da mitologia grega associada à morte inevitável. Segundo o MPSC, a escolha simboliza a intenção de interromper práticas consideradas ilícitas, romper possíveis esquemas e buscar a responsabilização penal, caso as irregularidades sejam confirmadas.
O que é o GAECO
O GAECO é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina, com participação de instituições como Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. O grupo atua na identificação, prevenção e repressão de organizações criminosas no estado.
Fonte: Ministério Público de Santa Catarina (MPSC)





