Ainda no início da manhã desta quarta-feira (22/04/26), equipes saíram às ruas em Joinville para cumprir mandados ligados a uma investigação que aponta para um esquema dentro do sistema prisional. O foco: a entrada de cinco relógios inteligentes no Complexo Penitenciário da cidade, que teriam sido usados como telefone por detentos.
A ofensiva faz parte da Operação Cavalo de Tróia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em apoio à 13ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville. O objetivo é reunir provas que confirmem a participação de envolvidos na ação.
Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. Uma pessoa também foi presa em flagrante com medicamentos de origem estrangeira e sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ação contou com policiais do GAECO, apoio do 1º Batalhão de Pronta Resposta (BPR) de Joinville e da Polícia Penal.
As investigações começaram a partir de informações repassadas pela direção da unidade prisional à Promotoria. A apuração indica que um advogado teria atuado com outras pessoas para inserir os dispositivos no presídio. Segundo o levantamento, ele teria usado suas prerrogativas profissionais para acessar o local e esconder os aparelhos na sala da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de onde seriam retirados por presos com privilégios e distribuídos a outros internos.
Segundo o Ministério Público, os dados reunidos também apontam que o advogado e uma sócia atuariam como “sintonia”, transmitindo recados da organização criminosa entre seus membros e facilitando a comunicação entre detentos. A investigação ainda identificou o possível apoio de um policial militar, suspeito de repassar informações sigilosas de sistemas de segurança pública.
Os materiais apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para perícia. As evidências devem auxiliar o GAECO a aprofundar a apuração, identificar outros envolvidos e verificar a existência de uma rede criminosa.
O caso segue sob sigilo, e novas informações devem ser divulgadas após a liberação dos autos. Enquanto isso, a investigação avança para entender até onde vai essa conexão dentro e fora dos muros do presídio.





