O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (22/07/25), a Operação Entre Lobos, com apoio da Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo (SC). A ação cumpre 13 mandados de prisão (oito preventivas e cinco temporárias) e 35 de busca e apreensão em 12 municípios de cinco estados: Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas.
Também estão sendo executadas 25 apreensões de veículos e 16 bloqueios de contas bancárias pertencentes a 13 investigados e 3 empresas, com valores de até R$ 2 milhões por alvo. As ordens foram expedidas pelo Poder Judiciário com o objetivo de aprofundar a investigação sobre uma organização criminosa acusada de aplicar golpes financeiros em aposentados e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Como funcionava o esquema
A investigação, iniciada há cerca de um ano, revelou a existência de um esquema bem estruturado, que operava com aparência de legalidade e atingia majoritariamente idosos. O grupo abordava as vítimas em suas residências ou pela internet, oferecendo ações revisionais de contratos bancários. Após o ajuizamento, induziam os clientes a assinar contratos de cessão de direitos judiciais a empresas de fachada, sem que tivessem plena consciência do que estavam fazendo.
Uma das empresas investigadas tem sede em Pinhalzinho (SC), e a outra, em Fortaleza (CE). Segundo apuração da GAECO, as duas receberam mais de R$ 6 milhões em créditos liberados pela Justiça, mas pagaram às vítimas menos de 10% desses valores.

Exemplo da disparidade entre o valor real e o recebido
Uma das vítimas tinha direito a R$ 146 mil e recebeu apenas R$ 2.500 (1,71%). Outro caso mostra uma vítima que poderia receber R$ 115 mil, mas foi paga com apenas R$ 2 mil. Veja a seguir a tabela com os dez principais casos apurados até agora:
| Vítima | Valor do Alvará/Acordo | Valor da Cessão | % Cessão/Total |
|---|---|---|---|
| Vítima 1 | R$ 146.327,17 | R$ 2.500,00 | 1,71% |
| Vítima 2 | R$ 117.711,86 | R$ 2.500,00 | 2,12% |
| Vítima 3 | R$ 115.660,20 | R$ 2.000,00 | 1,73% |
| Vítima 4 | R$ 115.593,47 | R$ 3.000,00 | 2,60% |
| Vítima 5 | R$ 114.279,14 | R$ 7.500,00 | 6,56% |
| Vítima 6 | R$ 103.288,15 | R$ 5.000,00 | 4,84% |
| Vítima 7 | R$ 101.270,35 | R$ 2.000,00 | 1,97% |
| Vítima 8 | R$ 100.000,00 | R$ 3.000,00 | 3,00% |
| Vítima 9 | R$ 99.950,47 | R$ 3.000,00 | 3,00% |
| Vítima 10 | R$ 92.339,06 | R$ 3.500,00 | 3,79% |
Etapas do golpe
A atuação do grupo seguia um ciclo contínuo com oito etapas sistematizadas. Tudo começava com a captação das vítimas via escritórios ou por meio do site do Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista (IDAP). Após o processo judicial e a sentença favorável, as vítimas eram abordadas novamente para assinar a cessão do crédito — sempre por valores muito abaixo do real. Os alvarás eram emitidos em nome do escritório, e os valores, distribuídos entre os integrantes da organização criminosa.
Estrutura e abrangência
O grupo utilizava empresas de fachada para dificultar a responsabilização direta dos envolvidos, desviando a atenção dos clientes e afastando os advogados de eventuais contestações. Foram identificadas planilhas de controle financeiro, registros de repasses e procurações cruzadas entre os envolvidos. A atuação da quadrilha já foi constatada em pelo menos quatro estados, e há indícios de atuação no Paraná e intenção de expansão para São Paulo e outros estados.
A operação mobilizou mais de 130 agentes do GAECO de Santa Catarina, promotores de Justiça e contou com apoio das forças de segurança dos estados envolvidos. As ações foram acompanhadas por representantes da OAB, garantindo o respeito às prerrogativas da advocacia.
Nome da operação e orientação às vítimas
O nome “Entre Lobos” foi escolhido para simbolizar a ação predatória do grupo, que se aproveitava da confiança dos clientes — especialmente idosos — em profissionais do Direito. Também é uma homenagem a uma das vítimas do esquema, de sobrenome “Wolf”, falecida durante as investigações.
Pessoas que se identificarem como vítimas devem registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia mais próxima ou entrar em contato com os canais abaixo. Essa manifestação é fundamental para dimensionar o alcance do esquema, identificar todos os prejudicados e garantir a reparação dos danos causados.
Canais de denúncia:
- Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo (SC) – WhatsApp: (49) 99200-7462
- Ouvidoria do MPSC – E-mail: ouvidoria@mpsc.mp.br | Telefones: (48) 3229-9306 ou 127 (das 9h30 às 19h)
🔄 ESQUEMA DE ESTELIONATO SISTEMATIZADO – 8 ETAPAS
1. Captação de Vítimas
Identificação e prospecção pelos escritórios de advocacia e IDAP
(Escritórios + IDAP)
2. Aproximação Legal
Simulação de legalidade e estabelecimento de confiança
(Representação Fraudulenta)
3. Processo Judicial
Tramitação mantendo aparência de legalidade
(Tramitação Judicial)
4. Sentença Favorável
Decisão judicial estabelecendo o direito ao crédito
(Decisão Judicial)
5. Nova Abordagem
Nova visita para compra da cessão
(BrasilMais + Ativa Precatórios)
6. Compra da Cessão
Contrato de cessão e pagamento à vítima
(Contrato + Pagamento)
7. Expedição de Alvará
Emissão de alvará para o escritório
(Alvará Judicial)
8. Distribuição Interna
Divisão dos valores entre colaboradores
(Divisão de Custos)





