Na manhã desta quarta-feira (03/09/25), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou a Operação Black Flow, em apoio à 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Itapema. A ação cumpre 28 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva, em Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo.
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As apurações conduzidas pelo Ministério Público de Santa Catarina indicam a prática de crimes de organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e contra a economia popular. Segundo a investigação, um grupo econômico formado por sete empresas principais, com uma holding nos Estados Unidos e mais de 40 Sociedades de Propósito Específico (SPE), teria estruturado empreendimentos imobiliários para dar aparência de legalidade às operações.
De acordo com os promotores, em muitos casos foram vendidos imóveis sem registro de incorporação, com atrasos nas obras e uso irregular dos valores pagos pelos compradores. Há registro de que apenas um empreendimento foi entregue em Itapema, mas com diversas falhas estruturais e ausência de matrícula individualizada.

Esquema financeiro e ocultação de recursos
O esquema, ainda segundo o MPSC, funcionava com o lançamento de empreendimentos por SPEs sem a devida regularização. Os valores recebidos eram transferidos para a Sociedade Anônima do grupo e, depois, para contas pessoais dos investigados. Além disso, recursos de uma SPE eram utilizados para cobrir gastos de outras.
A análise de movimentações bancárias revelou pulverização de recursos, com parte do dinheiro sendo usado para pagamento de cartões de crédito, compra de veículos e despesas pessoais. De acordo com o MPSC, conversas interceptadas mostrariam orientações de líderes do grupo para colaboradores realizarem transferências e manobras contábeis, mesmo sem respaldo financeiro ou legal.
Os investigadores também apontam que diversas SPEs sequer iniciaram as obras prometidas, mas continuaram a negociar unidades e assumir contratos sem intenção de cumprir as obrigações. No total, o grupo teria movimentado quase R$ 90 milhões, causando prejuízo a compradores, corretores de imóveis e permutantes.
Mandados e apoio à operação
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual de Combate às Organizações Criminosas, em Florianópolis. Os mandados são cumpridos em Porto Belo, Itapema e Joinville, além das capitais Rio de Janeiro e São Paulo.
O nome da operação faz referência ao “fluxo obscuro” dos valores que saíam das contas das SPEs até chegarem aos investigados. O trabalho do GAECO conta com apoio da Polícia Científica de Santa Catarina, para preservação das evidências, e do Ministério Público do Rio de Janeiro.
GAECO
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas é formado por integrantes do Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. Sua função é identificar, prevenir e reprimir organizações criminosas em Santa Catarina.
As investigações seguem sob sigilo, e novas informações poderão ser divulgadas assim que os autos se tornarem públicos.
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