terça-feira, 18 janeiro 2022
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O futebol como metáfora da vida

 

Por *Albio Fabian Melchioretto

Está chegando mais uma copa do mundo. Ela nunca está sozinha, e sempre podemos associá-la com mil outros acontecimentos. De uma maneira geral podemos olhar a história das copas relacionando-as com outras experiências sensoriais vivenciadas pela sociedade. Vejamos algumas.

A Copa de 1970, aquela do tri, trouxe um alento à miséria humana implantada pela ditadura civil e militar. Foram 90 milhões em ação comemorando a vitória sobre a Itália e também uma linha de fuga das mazelas do dia a dia junto a frustração do fracasso das quatros seleções de 1966. A seleção foi mágica. Venceu e jogou bem. Já a tristeza da Copa de 1982 pode ser associada a tristeza do fracasso que a primavera da redemocratização trouxe, foi um ano de eleições e grandes expectativas, mas silenciadas ao longo do processo. Em 1994, é tetra, é tetra, é tetra… foi o grito entalado. A copa começou com um propósito e terminada com o a moeda brasileira pareada com o dólar, e economia venceu, por ocasião, o adversário chamado de hiperinflação. A esperança das ruas, em 2014, e todo o ruído de panelas, terminou com a goleada da Alemanha. Sete a um no campo foi apenas um reflexo das ruas, da economia, da política, da desorganização extracampo.

Estamos em 2018, outra realidade é experimentada. Não vejo o clima da copa do mundo pela rua. Não há faixas, nem pessoas com a camisa canarinho desfilando pelas calçadas. Tabelas da copa já não são tão distribuídas como outrora. Vejo poucas pessoas na rua empolgada com a Copa que se aproxima. Alguns articulistas associam a ausência deste clima com as manifestações de 2013, e o pouco sucesso, outros ainda afirmam que carregamos o trauma dos sete a um, mas qual será o motivo?

A independer dele, o que temos como fato é a Copa do Mundo não atrai tanta intenção como já o fora. A crise econômica que vivenciamos ainda é forte, mas como o futebol ainda é metáfora da vida, a desesperança na política talvez seja a mesma desesperança com a Copa. Mas ela está aí, e então?

* Professor, filósofo e mestre em educação

O Blumenauense
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