Novo sistema reúne mais de 300 obras e ajuda a proteger o litoral de SC

Plataforma inédita concentra informações antes espalhadas e reforça o planejamento contra erosão, ressacas e eventos climáticos extremos.

Itapema | Foto: Tamires [Getty Images]

Imagine tentar montar um quebra-cabeça com as peças espalhadas por dezenas de gavetas diferentes. Era mais ou menos assim que funcionava parte das informações sobre as obras realizadas ao longo do litoral catarinense.

Agora, esses dados passam a ficar reunidos em um único ambiente digital. O Governo de Santa Catarina lançou nesta sexta-feira (19/06/26) o SIS-Costeira, uma plataforma criada para organizar informações sobre intervenções feitas na faixa litorânea e ajudar no planejamento de futuras ações de proteção da costa.

O sistema reúne registros de estruturas como molhes, enrocamentos, espigões, sistemas de drenagem, obras de contenção e projetos de recuperação de praias. Tudo fica localizado em mapa e armazenado em uma base compartilhada por diferentes órgãos e instituições.

A primeira etapa do trabalho já identificou mais de 300 obras distribuídas pelos 27 municípios catarinenses que fazem divisa com o mar. Ao todo, foram catalogados cerca de 30 tipos diferentes de intervenções costeiras.

O principal objetivo não é apenas saber onde cada obra está localizada. A proposta é permitir que gestores acompanhem a evolução dessas estruturas ao longo do tempo, avaliem resultados e tenham mais informações para decidir onde investir recursos e quais medidas podem trazer melhores resultados para a proteção do litoral.

A ferramenta ganha ainda mais importância diante de desafios que vêm se tornando frequentes em áreas costeiras. Entre eles estão a erosão das praias, os impactos das mudanças climáticas e a ocorrência cada vez mais comum de eventos extremos.

Com todas as informações concentradas em uma mesma plataforma, órgãos públicos deixam de trabalhar com dados fragmentados. Isso facilita o compartilhamento de informações, reduz retrabalho e permite uma visão mais ampla sobre o que já foi feito e o que ainda precisa ser planejado.

O sistema foi desenvolvido de forma colaborativa por um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae). Participam da iniciativa instituições estaduais, federais, universidades e entidades ligadas à gestão costeira, responsáveis também pela alimentação contínua do banco de dados.

Entre os participantes estão Semae, Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), Defesa Civil, Epagri, Polícia Militar Ambiental, UFSC, Udesc, Univali, Ibama, ICMBio, Iphan, Secretaria de Patrimônio da União (SPU), Federação Catarinense de Municípios (Fecam) e outras instituições parceiras.

Além de reunir informações, o projeto coloca Santa Catarina em posição de destaque ao criar o primeiro inventário estadual georreferenciado de obras costeiras implementadas no Brasil.

O tema afeta diretamente boa parte da população catarinense. O estado possui cerca de 561 quilômetros de costa e aproximadamente 75% dos moradores vivem em uma faixa de até 150 quilômetros do mar. São mais de 3 milhões de pessoas em uma região que concentra cidades, infraestrutura, atividades econômicas e parte importante do turismo catarinense.

Ao organizar informações que antes estavam dispersas, o SIS-Costeira passa a funcionar como uma espécie de memória digital do litoral. Um instrumento criado para ajudar o poder público a entender melhor o presente e planejar com mais eficiência os próximos passos para a conservação e proteção da costa catarinense.


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