Novo “meio-termo” no campo: Epagri apresenta o alho Pérola

Cultivar SCS385 adapta-se ao calor e promete ampliar as áreas de plantio em Santa Catarina a partir de 2027.

Foto: Renato Vieira [Epagri]

Santa Catarina acaba de ganhar um novo integrante para sua vitrine agrícola: o SCS385 Pérola. Desenvolvido pela Epagri, o cultivar é classificado como semi-nobre, ocupando um espaço entre o alho comum (branco) e o nobre (roxo).

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Sua principal vantagem prática é a resistência a temperaturas elevadas, o que permite o cultivo em quase todas as regiões do estado, indo além dos tradicionais polos frios.

 

Engenheiro agrônomo Renato Luís Vieira, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Caçador | Foto: divulgação

De onde veio e para onde vai?

A trajetória do Pérola começou entre 1998 e 2005, com a coleta de variedades crioulas no Sul do Brasil, que foram introduzidas no Banco de Germoplasma de alho da Epagri. Após anos de estudo iniciados em 2015 pelos pesquisadores Renato Luís Vieira e Anderson Luiz Feltrim em Caçador, e testes de campo em 2022 — realizados no Meio-Oeste, Alto Vale do Itajaí e Litoral catarinense (com apoio dos extensionistas Saymon Zeferino, Andressa Bee e Eusébio Tonetto) — a variedade foi registrada no Ministério da Agricultura em 2025.

O objetivo, segundo Renato Vieira, é preencher um vácuo no mercado e expandir a produção para áreas pouco exploradas, além de ampliar as épocas de colheita, mantendo a relevância catarinense no setor. Atualmente, o estado conta com 700 hectares cultivados e envolve mais de 2.000 famílias, gerando demanda de trabalho para 3 a 4 pessoas por hectare/ano. O protagonismo catarinense é impulsionado pelas características tecnológicas e socioeconômicas, com predomínio de pequenas propriedades familiares.

Ficha técnica e produtividade

  • Ciclo médio: 140 dias.
  • Visual: Planta de porte médio, folhas verde-claras e bulbos de formato circular com coloração branco-pérola. Os bulbilhos (dentes) são levemente arroxeados.
  • Rendimento: Pode atingir até 14 toneladas por hectare, dependendo do manejo.
  • Cenário estadual: Para a safra 2025/2026, espera-se colher 8.635 toneladas no estado (alta de 19% em relação à safra anterior). Hoje, o Planalto concentra a maior produção, com destaque para Curitibanos, Fraiburgo, Frei Rogério e Lebon Régis, que somam mais de 80% do volume estadual.

Como adquirir?

Embora o interesse já seja alto entre produtores de SC e de outras regiões do Brasil, as sementes estão em fase de multiplicação na Estação Experimental de Caçador. O lançamento oficial para os produtores ocorre na safra de 2027. Os interessados podem realizar reservas pelo e-mail (eecd@epagri.sc.gov.br) ou pelo telefone (49 3561-6800).


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