Mulheres avançam em espaço historicamente masculino no Judiciário catarinense

Nomeação inédita marca novo capítulo na Vara de Direito Militar no Estado.

Foto: divulgação

O Judiciário de Santa Catarina registrou nesta sexta-feira (20/03/26) um fato inédito: pela primeira vez, uma mulher assume o comando de uma Vara de Direito Militar no Estado. A juíza Alexandra Lorenzi da Silva passa a ocupar a função, em um movimento que simboliza mudanças graduais na presença feminina em áreas tradicionalmente dominadas por homens.

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Ao comentar a nova etapa da carreira, a magistrada destacou as particularidades da área em que passa a atuar. Segundo ela, a Justiça Militar exige preparo técnico e sensibilidade diante de temas que envolvem disciplina, hierarquia e garantias fundamentais. Alexandra afirmou que pretende conduzir seu trabalho com base na consistência das decisões e na responsabilidade do cargo, mais do que na visibilidade da função.

A Vara de Direito Militar desempenha um papel específico dentro da estrutura judicial. Entre suas atribuições estão o julgamento de crimes militares cometidos contra civis, a análise de ações relacionadas a atos disciplinares e casos envolvendo concursos públicos para ingresso nas corporações militares. A atuação desse tipo de unidade é considerada estratégica para assegurar a legalidade e o funcionamento das instituições militares.

Ao longo da trajetória profissional, a juíza relata ter enfrentado situações em que sua autoridade foi questionada, não por falta de qualificação, mas por uma percepção ainda presente de que determinados espaços são predominantemente masculinos. Diante disso, afirma que optou por responder com preparo técnico e atuação consistente, sem recorrer ao confronto direto.

A magistrada também reconhece a influência de outras mulheres que abriram caminho na carreira jurídica no Brasil. Segundo ela, a possibilidade de ocupar o cargo atual é resultado de avanços construídos por gerações anteriores. Alexandra afirma que encara esse histórico como um compromisso de continuidade, buscando ampliar o espaço para futuras profissionais.

Nomeada juíza substituta em janeiro de 2002, Alexandra Lorenzi da Silva acumulou experiência em diferentes comarcas catarinenses, incluindo Herval d’Oeste, Camboriú, Palhoça, São José e a Capital. Atuou em áreas como execuções penais e direito bancário, além de ter integrado o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Núcleo Operacional de Execução Penal da então Coordenadoria de Execução Penal e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Cepevid). Possui pós-graduação em Ciências Penais e é doutoranda em Ciência Jurídica pela Univali, com foco em Constitucionalismo, Transnacionalidade e Produção do Direito.

A atual Vara de Direito Militar tem origem na Auditoria da Justiça Militar, prevista nos artigos 57 e 58 da Lei nº 5.624, de 9 de novembro de 1979. Em agosto de 2015, a estrutura foi transformada na 5ª Vara Criminal da comarca da Capital. Dois anos depois, por meio da Resolução nº 29, de 20 de novembro de 2017, passou a adotar a denominação atual.


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