Morte do cão Orelha: Polícia Civil indicia três pessoas por coação de testemunha

Mais de 20 pessoas foram ouvidas no curso do inquérito, que já foi concluído e encaminhado ao Fórum para os devidos desdobramentos judiciais.

Coletiva da Polícia Civil sobre o caso da morte do cão comunitário Orelha | Foto: Leo Munhoz [SECOM/SC]

A Polícia Civil de Santa Catarina avançou nas investigações do caso que causou comoção no início de janeiro: a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, agredido na Praia Brava, em Florianópolis.

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Durante coletiva realizada nesta terça-feira (27/01/26), a corporação detalhou o andamento das apurações, que envolvem tanto maus-tratos ao animal quanto supostas tentativas de coação a testemunhas por parte de familiares dos adolescentes investigados.

Segundo a Polícia Civil, entre os indiciados por coação no curso do processo estão um advogado e dois empresários, parentes dos adolescentes suspeitos. Eles foram ouvidos pela e responderão por tentar influenciar o andamento das investigações.

O ataque ao cão Orelha, que não resistiu aos ferimentos mesmo após atendimento médico-veterinário, mobilizou duas frentes de apuração. A Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE) instaurou um procedimento específico para investigar a participação de menores de idade. Paralelamente, a Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) assumiu a apuração sobre as denúncias de coação por parte de adultos ligados aos adolescentes.

Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pelo caso na DPA, a investigação envolveu análise minuciosa de mais de mil horas de gravações captadas por 14 câmeras — públicas e privadas — instaladas na região. Mais de 20 pessoas foram ouvidas no curso do inquérito, que já foi concluído e encaminhado ao Fórum para os devidos desdobramentos judiciais.

Mardjoli Valcareggi, titular da Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) | Foto: Leo Munhoz [SECOM/SC]
Já a DEACLE continua à frente da investigação principal sobre os atos infracionais relacionados aos maus-tratos e outros possíveis ilícitos praticados na Praia Brava. Para isso, a Polícia Civil precisou aguardar o cumprimento de medidas cautelares antes de interrogar os adolescentes suspeitos. Na última semana, a Justiça autorizou novos mandados que permitiram o avanço da investigação.

Na segunda-feira (26), as duas delegacias realizaram uma operação conjunta para cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados. Celulares e outros equipamentos eletrônicos foram recolhidos e estão sendo analisados para reforçar o material probatório já reunido.

Ulisses Gabriel, delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina | Foto: Leo Munhoz [SECOM/SC]
Durante a coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, reforçou o compromisso da instituição com a causa animal e lembrou a criação de delegacias especializadas para proteção dos seus direitos. Ele também destacou que, por força do Estatuto da Criança e do Adolescente, os nomes e imagens dos menores investigados não podem ser divulgados. Caso sejam responsabilizados, as medidas aplicadas serão determinadas pela Justiça.

Além de Ulisses Gabriel, participaram da coletiva o diretor de Polícia da Grande Florianópolis, delegado Pedro Henrique de Paula e Silva Mendes, e o diretor do Gabinete da Delegacia-Geral, delegado Marcelo Nogueira.

Fonte: Polícia Civil de Santa Catarina


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