Morreu em Blumenau, no início da noite deste domingo (29/03/26), o empresário Hans Prayon. Ele tinha 93 anos e estava internado havia cerca de 50 dias por insuficiência respiratória no Hospital da Unimed.
Prayon era natural de Blumenau e nasceu no dia 31 de julho de 1932, deixando uma trajetória ligada à história industrial e cultural da cidade. Membro de uma família tradicional, sua vida pública foi marcada pela atuação como empresário, cônsul honorário da Alemanha e um dos principais incentivadores da cultura alemã na região.
Quatro décadas de sua vida foram dedicadas à Cia. Hering, onde ocupou cargo de diretor e no conselho da empresa. Ele deixa dois filhos, Jean e Gil Prayon; duas noras, Olga e Ana; e quatro netos: Ian, Liv, Amanda e Marina.
A foto que ilustra esta matéria foi feita durante uma rápida entrevista ao portal OBlumenauense realizada em outubro de 2015, quando uma comitiva da cidade alemã de Weingarten visitava Blumenau. Aproveitamos para entender nossos sentimentos aos familiares e amigos.
Origens e Ligação com a Indústria Têxtil
Hans Prayon pertencia a uma família de grande influência na indústria têxtil de Santa Catarina. Sua mãe, Annemarie Hering, era filha de Max Alfredo Hering, um dos integrantes da família fundadora da Companhia Hering. Essa ligação familiar resultou em um presente significativo de seu avô: um terreno de topografia acidentada no bairro Bom Retiro, recebido em 1948, onde, décadas depois, ele construiria sua residência.
Sua carreira esteve diretamente ligada ao setor têxtil, no qual atuou como presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem (atual Sintex). Mais tarde, entre 1997 e 2001, presidiu a Associação Empresarial de Blumenau (Acib), consolidando sua liderança no empresariado local.
O Idealizador do Restaurante Frohsinn
Um dos capítulos mais emblemáticos de sua trajetória foi a idealização do tradicional Restaurante Frohsinn. A história começou em 1968, quando Hans Prayon percebeu a falta de um espaço típico para oferecer comida alemã aos visitantes que chegavam a Blumenau.
Ao encontrar um ponto no alto de um morro, com vista privilegiada, ele procurou o prefeito da época, Curt Zadrozny. Como o terreno era público, conseguiu uma licença de uso por 25 anos. Em seguida, reuniu outros cinco empresários, representantes das grandes indústrias têxteis da cidade (Cia. Hering, Artex, Garcia, Teka, Cremer e Sul Fabril), para viabilizar o projeto.
Inauguração e Sucesso: Inaugurado em 1969, o Frohsinn foi um sucesso imediato. O local chegou a receber a primeira visita de um presidente da Alemanha a Blumenau, que parabenizou a iniciativa pela preservação da cultura germânica .
Despedida Emocionada: Em 2014, quando o antigo prédio do Frohsinn foi destruído por um incêndio, Hans Prayon, já com idade avançada, visitou os escombros e se emocionou ao declarar à imprensa: “É um filho que pegou fogo”.

Além de sua atuação empresarial, Hans Prayon foi uma figura-chave na preservação da cultura germânica em Blumenau. Por muitos anos, ocupou o cargo de cônsul honorário da Alemanha na cidade e região. Sua relevância cultural também se manifestou na presidência do Clube 25 de Julho, entidade tradicionalmente ligada à cultura alemã, a pedido de uma amiga. Além disso, fundou e foi o primeiro presidente do Instituto Histórico Blumenauense.
Sua casa, a Residência Hans Prayon, é considerada um marco arquitetônico e um símbolo de seu mecenato. Projetada pelo arquiteto Hans Broos na década de 1980, a residência é um exemplo do estilo brutalista e foi construída no terreno herdado de seu avô. A obra, que levou quatro anos e meio para ser concluída, teve todos os detalhes — mobiliário, paisagismo e interiores — cuidadosamente desenhados por Broos. Hans Prayon manteve a propriedade rigorosamente original ao longo dos anos, demonstrando apreço pela arquitetura e pelas artes.
Vida Pessoal e Legado
Hans Prayon foi casado com Jurací Prayon, com quem viveu até o falecimento dela em 2023. Jurací faleceu aos 80 anos em casa, na cidade . A trajetória de Hans Prayon é reconhecida como a de um homem que, alinhando herança familiar e visão empreendedora, desempenhou múltiplos papéis: foi líder industrial, diplomata honorário, incentivador da cultura e guardião da memória arquitetônica e histórica de Blumenau.





