Quem acompanhou novelas como Sol Nascente (2016), Segundo Sol (2018) e, mais recentemente, a série No Corre (2023), no canal Multishow, pôde ver Francisco Cuoco em cena até os últimos anos de sua vida artística. Com uma presença marcante, ele atravessou décadas como um dos principais nomes da teledramaturgia brasileira.
Nesta quinta-feira (19/06), Cuoco nos deixou aos 91 anos, em São Paulo (SP). A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul da capital.
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Francisco Cuoco participou de mais de 40 novelas, dezenas de peças teatrais e diversos filmes. Foi protagonista de sucessos escritos por Janete Clair, interpretou personagens emblemáticos como Cristiano Vilhena (Selva de Pedra, 1972), Carlão (Pecado Capital, 1975) e Alex Garcia (O Semideus, 1973), além de se manter ativo nas artes até seus últimos anos. Na televisão, cinema e palcos, sua atuação sempre foi marcada por intensidade, técnica e uma entrega que inspirou atores de várias gerações.
Nascido no bairro do Brás, em São Paulo, em 29 de novembro de 1933, Francisco era filho de Antonieta e Leopoldo Cuoco. Desde pequeno, se encantava com os picadeiros que apareciam em terrenos baldios do bairro. Antes de seguir a carreira artística, chegou a prestar vestibular para Direito, mas abandonou o curso para estudar na Escola de Arte Dramática da USP. Tinha três filhos: Tatiana, Rodrigo e Diogo.
Sua trajetória profissional começou no teatro, com destaque para sua passagem pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e pelo grupo Teatro dos Sete, ao lado de nomes como Fernanda Montenegro, Sérgio Britto e Fernando Torres. Na televisão, estreou nos anos 1960, no Grande Teatro Tupi, em transmissões ao vivo. A primeira novela veio em 1964, com Marcados pelo Amor, na TV Record. A consagração veio na década seguinte, com personagens fortes em novelas da Excelsior e, mais tarde, da Globo.
Além dos protagonistas de Janete Clair, também interpretou papéis importantes em O Outro (1983), O Salvador da Pátria (1989), Passione (2010), A Vida da Gente (2011) e Sol Nascente (2016). No cinema, entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, participou de filmes como Traição (1998), Gêmeas (1999), A Partilha (2001) e Cafundó (2005). Em 2005, retornou aos palcos com a peça Três Homens Baixos, ao lado de Gracindo Jr. e Chico Tenreiro.
Mesmo com uma longa carreira, Cuoco nunca se afastou da profissão. Em entrevistas, destacava a importância da “inteligência cênica”, a percepção de que o ator deve permitir que o personagem tenha vida própria. “Eu prefiro que o personagem sufoque o Francisco”, afirmou ao projeto Memória Globo.
O velório está marcado para esta sexta-feira (20), no Funeral Home, no bairro Bela Vista, em São Paulo, com cerimônia restrita a familiares e amigos. Nas redes sociais, colegas de profissão e admiradores lamentaram a morte do ator. “Francisco Cuoco foi um ícone e inspirou gerações”, declarou o autor Walcyr Carrasco.
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