Mercosul assina acordo de livre comércio com quatro países da Europa

Parceria amplia mercado para 290 milhões de consumidores e reforça defesa do multilateralismo em meio a tensões globais.

Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira | Foto: Júlio César Silva/MDIC

Com a economia mundial sob pressão de tarifas impostas pelos Estados Unidos, que atingem em especial Brasil com taxações de até 50%, o Mercosul busca alternativas para manter o comércio em expansão. Nesta terça-feira (16/09/25), o bloco assinou no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, um acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

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A parceria cria um mercado de 290 milhões de consumidores e reúne economias de US$ 4,39 trilhões (mais de R$ 23 trilhões em 2024). As negociações começaram em 2017 e, após 14 rodadas, foram concluídas em junho de 2025 em Buenos Aires. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou o pacto como “um grande e importante passo” e defendeu que o comércio “aproxima os povos e promove a paz”, além de gerar emprego, renda e inovação.

O chanceler Mauro Vieira destacou que o tratado equilibra abertura de mercados e defesa comercial, além de incluir cláusulas ambientais inéditas, como a exigência de matriz elétrica com pelo menos 67% de energia limpa para serviços digitais.

O acordo prevê a eliminação de 100% das tarifas industriais e pesqueiras na Efta e abre oportunidades para produtos agrícolas do Mercosul, como carnes, milho, soja, frutas e sucos. Também abrange investimentos, compras públicas, propriedade intelectual, medidas sanitárias e fitossanitárias. Cecile Myrseth, ministra da Noruega, afirmou que o pacto “envia uma mensagem clara de cooperação”, enquanto Logi Már Einarsson, da Islândia, disse acreditar no comércio “baseado em regras”.

O tratado ainda precisa ser ratificado internamente, como no Congresso Nacional brasileiro. Paralelamente, o país negocia com Emirados Árabes Unidos, Canadá, México e Índia, além de já ter firmado em 2023 acordo com Singapura. Às vésperas da COP30 em Belém, Mauro Vieira ressaltou que o pacto mostra como é possível integrar desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Os quatro países da Efta, que somam PIB de US$ 1,4 trilhão, figuram entre as maiores rendas per capita do mundo: Liechtenstein (US$ 186 mil), Suíça (US$ 104,5 mil), Islândia (US$ 87,2 mil) e Noruega (US$ 86,6 mil). Já o Mercosul é formado por Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil — com a Venezuela suspensa — e tem como associados Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname.

O governo brasileiro também mantém expectativa de concluir em breve o aguardado tratado com a União Europeia, que poderá criar um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e representar 26% da economia mundial. O texto foi enviado ao Parlamento Europeu em 3 de setembro pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Alemanha e Espanha defendem a aprovação, enquanto a França, maior produtora de carne bovina da UE, rejeita alegando preocupações ambientais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, afirmando que o país age de forma protecionista em defesa de seus interesses agrícolas.


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