Médio Vale do Itajaí reduz emissões de gases de efeito estufa em 11%, dizem dados da AEGEE

Queda está ligada principalmente à redução do desmatamento, mas setores de energia e agropecuária seguem em alta na região.

Imagem ilustrativa: mata fechada na região do Morro do Baú, em Ilhota (SC)

Entre números e decisões que impactam diretamente o território, o Médio Vale do Itajaí começa a desenhar um novo cenário climático. Um levantamento inédito aponta que a região conseguiu reduzir em 11% as emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) entre 2018 e 2023 — um movimento que revela avanços, mas também expõe desafios que seguem crescendo.

Os dados fazem parte da 1ª Análise de Emissões de GEE (AEGEE) do Médio Vale do Itajaí/Vale Europeu, que será lançada na terça-feira (7/04/26), em Blumenau, na sede da Associação de Municípios do Vale Europeu (AMVE). O estudo é resultado de uma iniciativa conjunta da AMVE e do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI), com desenvolvimento técnico do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e apoio financeiro do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Na prática, as emissões líquidas caíram de 2,04 para 1,81 megatoneladas de CO2 equivalente (MtCO2e). Apesar de oscilações ao longo dos anos, a tendência geral é de queda, puxada principalmente pela redução no uso da terra — especialmente pela diminuição expressiva do desmatamento, que teve queda de 93% no período analisado.

Por outro lado, o estudo aponta que nem todos os setores seguem o mesmo caminho. A área de energia permanece como a principal responsável pelas emissões na região e apresentou crescimento de 10%, impulsionada pelo aumento no consumo de combustíveis. Logo atrás, a agropecuária também registrou alta de 13%, reflexo da expansão das atividades pecuárias e das emissões relacionadas à fermentação entérica e ao manejo de dejetos.

A análise integra um conjunto mais amplo de estudos sobre conformidade climática, envolvendo 17 municípios que somam cerca de 858 mil habitantes em uma área de mais de 5,3 mil km², segundo dados do IBGE. A região, localizada no Vale Europeu de Santa Catarina, faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, considerada estratégica tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico.

O lançamento do relatório deve reunir autoridades locais e especialistas para discutir os próximos passos — desde a redução das emissões até estratégias de adaptação às mudanças climáticas. O encontro também prevê a troca de experiências com outros municípios, incluindo cidades de fora da região, como Campinas (SP).

No fim das contas, os números mostram que reduzir é possível — mas manter essa trajetória dependerá das escolhas que a região fizer daqui para frente.


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