quarta-feira, 8 dezembro 2021
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Mais do que depoimentos, a verdade por trás da criação da Oktoberfest

 

 

Por Claus Jensen, com fotos de Marlise Cardoso Jensen

Cerca de 150 pessoas se reuniram na Blulivro do Shopping Park Europeu, no dia 19 de outubro, para o lançamento de um livro que conta a história da Oktoberfest. São 30 depoimentos reunidos desde 2012, organizados pelo publicitário José Geraldo Reis Pfau e escritos pelo jornalista Renê Müller. A obra é uma iniciativa do advogado Sérgio Fernando Hess de Souza e do empresário Emílio Schramm, que convidaram os dois para participarem do projeto, e conta com o apoio do SINDILOJAS Blumenau e de Hess & Arend Advogados.

 

 

O evento reuniu diversas autoridades e personagens que fizeram parte dos dois primeiros anos da Oktoberfest. Durante o lançamento, foram vendidos 55 livros e teve a apresentação do Blumenauer Volkstanzgruppe, do Centro Cultural 25 de Julho, de Blumenau. A realeza da 35ª edição também abrilhantou a noite.

 

 

A ideia de realizar a Oktoberfest começou a surgir em meados da década de 1970, e encontrou respaldo nas primeiras composições da Comissão Municipal de Turismo. Depois de tentativas infrutíferas, os empresários do Comércio e da Hotelaria da cidade finalmente fecharam uma parceria com o prefeito Dalto dos Reis, recém-eleito. No final de 1983, tomaram a frente da comissão que organizou a primeira festa, em outubro de 1984, com o apoio promocional da administração municipal.

 

 

O advogado Sérgio Fernando Hess de Souza era presidente do CDL de Blumenau em 1984, quando aconteceu a primeira edição da Oktoberfest, quando também presidia a comissão organizadora. “O que mais me marcou, foram a união e solidariedade que tomou conta de todos os organizadores. Blumenau era uma cidade destruída. Só quem viveu sabe o que foram as enchentes de 1983 e 1984. A festa que já tinha sido planejada, ressurgiu no momento de maior necessidade dos blumenauenses. Ela recuperou a auto estima dos moradores e ficou marcada pela sua organização, alegria e atrações que ainda permanecem, como o Bierwagen, Chope em Metro, gastronomia, parque de diversões e os desfiles”, destaca Hess.

Ao ser questionado sobre a parte mais prazerosa durante o livro, ele disse que foi lembrar de cada fato da época. “Foram essas entrevistas com as pessoas que eu não via há anos, e estavam aqui hoje, como o Luiz Cé, Salésio da Conceição, Ingo Penz, e tantos outros que fizeram parte dessa história. Entre as lembranças, a de Cesar Deggau, criador do Chope em metro, que já faleceu”, finalizou Hess. Ele considera a festa muito bem resolvida no formato atual, com novas atrações a cada ano, como aconteceu em 2018 com o Oktober Karte. Também destacou as mudanças nos critérios dos trajes típicos e a diversificação da gastronomia.

 

 

O empresário Emílio Schramm disse que com o tempo, começaram a surgir muitas histórias sobre a origem da Oktoberfest, um pouco diferentes de quem se envolveu na época em que foi criada. “Isso incomodava um pouco. Toda vez que eu e o Sérgio nos encontrávamos, comentávamos sobre a necessidade de registrar isso. Mas fomos protelando até 2012, quando nos sentamos com o Pfau e o Renê para começar o livro. Mesmo assim ainda demorou bastante, mas agora finalmente saiu. Ele não só mostra para os blumenauenses o que realmente aconteceu, mas também que quando nós queremos e nos unimos, conseguimos realizar. Imaginávamos que a Oktoberfest seria um sucesso, mas não do tamanho que ficou”, recordou Schramm.

Na época Emílio era diretor do CDL e encarregado dos desfiles. “É importante as pessoas saberem que a iniciativa de fazer a festa foi da comunidade, não do poder público, que depois abraçou a causa. Tenho orgulho do que a festa é hoje e não mudaria em nada do jeito que está”, completa o empresário.

Entre as curiosidades que citou, uma situação na década de 1980, quando Emílio foi à Alemanha junto com Renato Vianna, prefeito de Blumenau na época, para conhecer a Oktoberfest de Munique. “Meu alemão não é dos melhores. Eu queria ir à prefeitura da cidade, mas não sabia como se dizer prefeitura em alemão. Então parei um pedestre e perguntei onde ficava o lugar que o prefeito trabalhava. Ele disse é o Rathaus e me indicou onde era, e eu nunca mais esqueci [risos]”, finalizou.

 

Publicitário José Geraldo Reis Pfau [à esquerda]
 

Como participou desde o início da festa, o publicitário José Geraldo Reis Pfau foi convidado para ser o organizador do livro. “Contamos tudo que aconteceu nos anos 1984 e 1985 no sentido comunitário, ou seja, o que a cidade fez para criar uma festa modelo que está na 35ª edição. Ela segue com o mesmo formato de atrações e está muito bem organizada, apesar de ter passado por algumas dificuldades, mas está no caminho certo”, finaliza o Pfau.

O sócio da Blulivro, Guilherme Ademar Pedrini, destaca a importância de passar a história da festa para as novas gerações.”Depois de muito tempo, o Sérgio e o Pfau conseguiram lançar o livro mantendo essa história tão importante viva. Como uma livraria blumenauense, ficamos muito felizes de termos recebido esse evento”.

 

Emílio Schramm, Sérgio Fernando Hess de Souza e Guilherme Ademar Pedrini

 

 

Claus Jensenhttp://www.oblumenauense.com.br
Trabalhei com publicidade há mais de 30 anos, fiz teatro durante 8, apresentei programa de televisão outros 5 e sou blogueiro desde 2007. Mas minha maior paixão é a família, e claro, essa fascinante Blumenau.

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