Com condições climáticas favoráveis, a safra 2025/2026 projeta exportações de cerca de 20 mil toneladas. E, pela primeira vez em duas décadas, os produtores catarinenses não precisarão mais cruzar a fronteira com o Rio Grande do Sul para despachar sua carga ao exterior.
A certificação fitossanitária, exigência dos países importadores para garantir carregamentos livres de pragas, passou a ser emitida na própria origem, em São Joaquim e Fraiburgo, por auditores fiscais federais do Ministério da Agricultura e Pecuária. A mudança foi negociada entre o governo estadual e o ministério no ano passado.

O modelo anterior obrigava as empresas a escolher entre dois caminhos igualmente onerosos: transportar a carga até Vacaria, no Rio Grande do Sul, ou levá-la ao Porto de Itajaí e arcar com diárias de armazenagem até a liberação. Agora, certificadas na origem, as maçãs seguem direto para os portos catarinenses.
A preferência é pelo Porto de Imbituba, o mais próximo dos polos produtores. O impacto vai além da redução de custos: para uma commodity perecível, tempo é qualidade. A nova dinâmica agrega 15 dias a mais de vida útil comercial à fruta — diferencial relevante em mercados exigentes.
Em São Joaquim, principal polo do cultivo, já foram certificadas localmente 530 toneladas nesta safra, sinal de que a mudança saiu do papel com agilidade.

Safra volumosa e de boa qualidade
Santa Catarina detém mais da metade da produção nacional de maçãs, que supera um milhão de toneladas por ano. A estimativa desta safra é colher mais de 265 mil toneladas da variedade gala e mais de 234 mil da fuji, com volume e qualidade superiores à temporada anterior.
A exportação cumpre papel regulador em anos de oferta elevada, funcionando como válvula de escape para evitar pressão sobre os preços domésticos. A ABPM avalia que as vendas ao exterior poderiam ser ainda maiores em 2026, não fosse o conflito no Oriente Médio, que ameaça contrair negócios em alguns mercados.
Sanidade vegetal como ativo competitivo
Por trás dos números de exportação há um trabalho estratégico de defesa sanitária. A certificação fitossanitária não é mera formalidade — é o passaporte que abre mercados internacionais, e Santa Catarina tem investido consistentemente nessa frente.
Um dos resultados mais expressivos é a erradicação da Cydia pomonella, a traça-da-maçã, mariposa que deposita ovos dentro da fruta e compromete seu desenvolvimento. A ação da Cidasc envolveu monitoramento com armadilhas e corte de árvores atingidas.
Outra frente permanente é o controle do cancro europeu das pomáceas, causado pelo fungo Neonectria ditissima, que ataca troncos, ramos e frutos. A doença pode comprometer progressivamente a capacidade produtiva dos pomares e é considerada sob controle no estado.





