No início da manhã deste sábado (3/01/26), quem olhar para o céu verá a primeira Lua Cheia do ano — e com um detalhe especial: ela estará mais próxima da Terra do que o habitual. Esse alinhamento, conhecido como “Lua Cheia de Perigeu”, costuma ganhar o apelido popular de “Superlua”. Embora o nome sugira algo fora do comum, especialistas garantem que o visual não será tão impressionante quanto parece.
::: Siga OBlumenauense no WhatsApp ➡️ Clique aqui!
O pico da fase cheia acontecerá às 7h03 (horário de Brasília), quando a Lua estará a cerca de 362.312 quilômetros da superfície terrestre — um dos menores afastamentos previstos para 2026. Quando isso acontece, seu disco pode parecer até 6% maior e emitir 13% mais luz em comparação com uma Lua Cheia comum. Acontece que, mesmo com essa diferença, nossos olhos dificilmente percebem qualquer alteração significativa.
Quem explica é Rodolfo Langhi, astrônomo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do Observatório de Astronomia da instituição. Segundo ele, o tamanho da Lua não muda de fato — o que muda é sua posição na órbita. “Todo mês, ela passa por dois pontos principais: o perigeu, que é quando está mais próxima da Terra, e o apogeu, que é o ponto mais distante. Quando a fase cheia coincide com o perigeu, temos esse fenômeno chamado de Superlua, mas a diferença visual é muito sutil.”
Para ilustrar, Langhi faz uma comparação simples: “Imagine segurar uma bola com as duas mãos. Se você a aproxima do rosto, ela parece maior. Quando afasta, parece diminuir. A mesma lógica se aplica à Lua. Mas essa variação de tamanho é pequena, e nem todo mundo nota.”
Neste sábado, o diâmetro aparente da Lua será de 32,92 minutos de arco. Em maio, quando ocorrerá a chamada “Microlua” — a Lua Cheia mais distante do ano — esse número cairá para 29,42 minutos. Na prática, trata-se de uma diferença de cerca de 3,5 minutos de arco, perceptível apenas com instrumentos ou em fotos comparativas.
Langhi reforça que, para a maioria das pessoas, o satélite parecerá igual ao de sempre. “Se a pessoa não está acostumada a observar o céu com frequência, dificilmente vai notar algo diferente. Mesmo para os astrônomos, essa variação é discreta.”
Termos como “Superlua” e “Microlua” geram expectativas exageradas
Quem também compartilha dessa visão é o físico e astrônomo João Batista Canalle, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Para ele, a tal Superlua deste sábado não traz nada de extraordinário do ponto de vista científico. “É apenas uma Lua Cheia como outra qualquer. A única particularidade é que teremos duas no mesmo mês, o que é apenas uma coincidência do calendário.”
Canalle questiona a forma como esses termos são popularizados. Ele lembra que, no dia seguinte (domingo, 4 de janeiro), a Terra estará no ponto mais próximo do Sol em sua órbita — e, mesmo assim, ninguém notará o astro-rei maior no céu. “Com a Lua é a mesma coisa. Estar mais perto não significa que ela vá parecer enorme.”
O professor também aponta que o termo “Microlua”, previsto para o dia 31 de maio, pode induzir ao erro. “Ela não vai ficar minúscula. Continuará sendo uma Lua Cheia, só que em uma posição mais distante. A diferença de tamanho é mínima, considerando que a média da distância entre Terra e Lua gira em torno dos 400 mil quilômetros. Do ponto de vista astronômico, não é algo que tenha grande relevância.”
Olhar para o céu ainda vale a pena?
Mesmo sem mudanças dramáticas no firmamento, o fenômeno pode ser um bom convite para parar, respirar e observar. Para quem gosta de registrar o céu com câmeras ou binóculos, essa Lua Cheia pode render belas imagens — especialmente em regiões com pouca iluminação urbana.
Fonte: Agência Brasil





