Justiça e psicologia unidas para acolher vítimas de violência doméstica em SC

Tribunal de Justiça firmou parceria com instituto para oferecer atendimento psicológico gratuito ou a preço social para mulheres encaminhadas pela CEVID.

Imagem (ilustrativa): OBlumenauense

Quando uma mulher buscas as autoridades relatando agressão física, a violência que se vê raramente é a que começou primeiro. Por trás de muitos boletins de ocorrências, há uma história mais longa — feita de humilhações, controle e medo que se acumulam em silêncio, muitas vezes sem que a própria vítima reconheça o que vive como violência.

E mesmo depois que o ciclo se rompe, as marcas psicológicas permanecem. Procurar ajuda, para muitas dessas mulheres, pode ser um obstáculo — seja por vergonha, medo ou simplesmente por não terem informações sobre os serviços disponíveis.

É para alcançar essas vítimas que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (PJSC) deu um passo concreto além das salas de audiência. No mês dedicado às mulheres, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) firmou acordo de cooperação com o Instituto Junguiano de Santa Catarina (IJUSC). O objetivo é oferecer atendimento psicológico e psicossocial gratuito ou a preço social, conforme a renda de cada paciente.

A primeira reunião de trabalho aconteceu na última sexta-feira (27/03/26), com a presença da coordenadora da CEVID, desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, e da diretora-executiva do IJUSC, psicóloga Amélia de Oliveira Junkes, entre outras profissionais. Os atendimentos serão realizados pela clínica social do IJUSC, em Florianópolis, por meio de encaminhamentos da CEVID.

A desembargadora Hildemar colocou em palavras o que os processos revelam na prática. “Quando realizamos os atendimentos de mulheres em situação de violência doméstica física é porque a violência psicológica já está instalada há muito tempo”, afirmou. “Muitas das mulheres não procuram atendimento psicológico por vergonha ou até falta de conhecimento desse serviço.” Para ela, a parceria vai além da oferta de um serviço — é também um recado: “elas não estão sozinhas”.

O IJUSC conta com 30 terapeutas voluntários em sete cidades catarinenses: Florianópolis, Balneário Camboriú, São José, Joinville, Biguaçu, Criciúma e Garopaba. Os atendimentos poderão ser presenciais ou online, conforme a disponibilidade do profissional e da paciente.

O caminho até o atendimento começa dentro do próprio Judiciário. A equipe da Central Especializada de Atendimento às Vítimas (CEAV), vinculada à CEVID, identificará as mulheres que necessitam de suporte psicológico e as orientará sobre a parceria. Servidoras do tribunal preencherão os formulários.

Após a atribuição do caso, o psicoterapeuta designado fará o primeiro contato, enviará um guia de boas-vindas e, nos atendimentos iniciais, construirá junto à paciente o contrato terapêutico. “Juntos podemos fazer a diferença para as pessoas que precisam de atendimento psicológico e psicossocial”, disse a diretora-executiva do IJUSC, Amélia de Oliveira Junkes.


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