segunda-feira, 17 janeiro 2022
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Jean Kuhlmann fala sobre seu projeto para Blumenau como pré-candidato a prefeito

Os pré-candidatos à prefeitura de Blumenau já começam a mobilizar suas bases eleitorais. Um deles, já concorreu ao pleito nas últimas eleições e colocou novamente o seu nome a disposição do PSD, Partido Social Democrático. Mas o nome oficial sai somente após a convenção do partido que acontece em julho.

Conversamos com o deputado estadual Jean Kuhlmann, sobre os problemas que Blumenau enfrenta e as melhores soluções, na sua visão. A entrevista foi concedida na sede do site OBlumenauense.

 

Jean-Kulhmann_Mar2016

 

OBlumenauense: O PSD (Partido Social Democrático) de Blumenau já optou oficialmente por lançar um candidato próprio à prefeitura nas eleições municipais de 2016?

Jean Kuhlmann: A decisão de todos, desde o governador Raimundo Colombo, o presidente da Assembleia Legislativa, Gelson Merisio; e do Secretário João Paulo Kleinubing, é de que o PSD de Blumenau tenha um candidato a prefeito. Não dá para admitir que uma cidade que tem um deputado federal e dois estaduais do PSD, não tenha o seu. Eu já coloquei meu nome a disposição do partido como pré-candidato a prefeito.

OBlumenauense: Dois nomes chegaram a ser cogitados no partido. O seu e também do empresário Ronaldo Baumgarten Jr. Já existe algum nome que é de consenso no partido?

Jean Kuhlmann: A decisão de quem serão os candidatos e quais as coligações, só será tomada em julho, na convenção do partido. Ronaldo Baumgarten é uma pessoa que se colocou à disposição do partido, mas ainda temos nomes como Eduardo Deschamps (Secretário de Educação SC) e João Paulo Kleinubing (Secretário de Saúde SC). Hoje o PSD tem a felicidade de ter vários nomes com condições de administrar a cidade e construir uma coligação. Além disso, estamos conversando com outros partidos para uma aliança por Blumenau. No momento certo será decidido tanto qual o candidato efetivo e quais os partidos que estarão coligados.

OBlumenauense: Hoje não existe nenhum nome mais ou menos preferido, todos são pré-candidatos, correto?

Jean Kuhlmann: Exato, todos tem o direito de disputar. Eu vou construir internamente no partido, a possibilidade de ser candidato. Fazer essa discussão interna, conversar com os filiados e os membros da coordenação provisória. Pretendo conversar com o presidente da assembléia, o governador, o Deputado Ismael Santos e o deputado federal João Paulo Kleinubing; para que possamos chegar a um consenso o quanto antes. Existe o prazo legal e de convenção, portanto tem que ser dado o devido tempo.

OBlumenauense: Quais os principais problemas que hoje você vê em Blumenau, primeiro como morador e depois como candidato a prefeito?

Jean Kuhlmann: Blumenau tem alguns pontos que eu entendo serem cruciais. Na saúde, existem várias questões que a cidade piorou ultimamente. Na educação, nós poderíamos avançar mais, assim como na segurança pública, já que o prefeito tinha prometido criar a guarda municipal e não cumpriu a promessa. Existem mais coisas que poderiam ser feitas, mas eu acho que o grande problema hoje é a mobilidade urbana. Tanto na questão do respeito ao pedestre e ciclista , quanto na melhor utilização do veículo e um transporte público de qualidade.

Você não gera qualidade de vida para uma pessoa, resolvendo somente um aspecto, tem que resolver a cidade como um todo. Isso inclui a geração de empregos e investimentos em renda para o cidadão. Nossa cidade já foi muito mais forte no passado do que é hoje e precisamos recuperar isso de novo. Temos que voltar a ter o mesmo orgulho de Blumenau que sempre tivemos. Já fomos referência no cenário estadual e nacional.

OBlumenauense: Qual seu projeto para captar empresas e trabalhar melhor a economia da cidade?

Jean Kuhlmann: Mais importante do que se preocupar em captar novas empresas, é valorizar as que estão aqui. É tentar qualificar e vocacionar melhor a economia. Claro que se você trouxer para Blumenau uma empresa com tecnologia de ponta, com produtos de valor agregado, isso melhora toda a cadeia. Você consegue fazer com que a população tenha mais qualidade de vida, porque ajuda na geração de emprego e o salário das pessoas.
Blumenau tem que trabalhar primeiro o vocacionamento claro da sua economia. Se você perguntar qual é a vocação de nossa cidade para qualquer pessoa na rua ou empresário, dificilmente obterá uma resposta clara. Nós vivemos hoje um momento de transição. Já fomos uma cidade com potencial Industrial muito forte, mas nossa força hoje é na área de prestação de serviços. Como capital do Vale de Itajaí, Blumenau tem uma grande concentração de serviços. Nós temos que olhar esse novo momento da economia do país e os novos modelos existentes, para se reciclar e vocacionar corretamente.

Eu entendo que Blumenau tem que trabalhar não só a sua vocação na Indústria Têxtil, mas também como capital da moda e aproveitar esse potencial que temos. Vamos aproveitar a nossa estrutura de saúde, com uma boa rede hospitalar e de prestação de serviços, vocacionando para ser um grande centro especializado na área da saúde. Com isso você melhora desde a qualidade de vida e atendimento ao cidadão, como também a ocupação da rede hoteleira.

Uma área que podemos trabalhar para sermos fortes, é na geração de energia, a economia do futuro, assim como na questão do meio ambiente, algo extremamente importante para gerar sustentabilidade numa economia local.

Além disso nós temos que trabalhar no fortalecimento da tecnologia da informação, pegar as empresas de tecnologia que nós temos aqui na região, mas não apenas de software ou de hardware; e sim trabalhar o TI em um conceito mais amplo. Podemos fornecer tecnologia para nossas indústrias e a sociedade em geral. Nós estamos garantindo através do Estado, a construção do Centro de Inovação, que tem como característica proporcionar às empresas na área de tecnologia se multiplicar e buscar produtos de valor agregado.

Outro aspecto econômico fundamental na nossa cidade é fazer com que Blumenau volte a ter um chamamento turístico. Mas não apenas ao turista do Natal, Páscoa, Festival da Cerveja ou Oktoberfest. É fazer com que haja turismo o ano inteiro através de feiras e congressos. Nós tínhamos há alguns anos atrás a Texfair, que era enorme; além da Infofair, uma feira de informática. Elas tem que voltar a acontecer na nossa cidade com toda força. Não precisam ser grandes e enormes feiras como as que tem hoje tem São Paulo; ou como as de Balneário Camboriú, através do novo centro de eventos na cidade.

Temos que escolher qual o nicho de mercado que queremos. Então permitir que hajam feiras de pequeno e médio porte, além de termos um centro de eventos e congressos no Parque Vila Germânica, onde dê para fazer um congresso de mil médicos, ou 500 profissionais de determinada área. Isto é fundamental para você redirecionar o crescimento da cidade, prestar serviço à sociedade, ter um emprego de qualidade e renda de valor agregado à cidade.

OBlumenauense: Hoje a ponte do centro acabou ficando só no papel. Qual seu projeto em relação às pontes e mobilidade urbana?

Jean Kuhlmann: Primeiro quero lembrar que a obra mais cara é aquela que não sai do papel. O fato de nós termos um financiamento do BID, um banco internacional de desenvolvimento, aprovado em Blumenau, para construir uma ponte; e por teimosia, essa construção não acontecer, é um absurdo. Ela foi aprovada pelos técnicos de um banco internacional, que colocaram o dinheiro à disposição e até hoje, por uma questão pessoal do prefeito, ela não foi feita.

Eu entendo que ela representa o início de um novo acesso Leste na cidade. Pela proposta, ela ligaria desde a Avenida Beira Rio, Ponta Aguda, Anel Viário Norte, que já tem uma estrutura que permite usar duas pistas de cada lado, e antes de chegar na rotatória do SESI, fazer uma nova ponte, ligando com a Rua Silvano Cândido da Silva, que vai passar na frente do novo presídio e vai até a BR 470. Esse é um acesso que envolveria duas cidades, por isso o prefeito tem que ter boa habilidade e articulação para conversar com o governo do Estado e Federal.

Esse acesso que tem que ser feito com a parceria e apoio do Governo do Estado, como está sendo o prolongamento da Via Expressa, onde as obras estão iniciando, vão ultrapassar a BR-470, chegando até a Polícia Militar Rodoviária estadual. Eu aprendi uma frase com o governador Raimundo Colombo, que vale para todo cidadão, principalmente para quem quer construir algo em torno das pessoas através da política.

Briga política não constrói posto de saúde, creche e nem escola. Como vimos, picuinha política fez com que uma ponte não fosse construída. Blumenau não pode mais viver nesse processo de picuinhas. Ah .. porque foi o outro prefeito que planejou e eu não quero mais fazer. O planejamento não pode pertencer a um prefeito e sim a cidade, que tem que dizer o que é melhor para ela.

OBlumenauense: O recurso da ponte do centro, continua à disposição do município?

Jean Kuhlmann: Continua. Tanto que o prolongamento da Rua Humberto de Campos está sendo feito com recursos do BID. O governo do estado ajuda nas desapropriações, como também ajudou na ponte do Badenfurt. Ele também ajudou na obra do Dique da Fortaleza, que sem essa verba, não estaria pronta. Na verdade é o dinheiro do cidadão, mas que se não fosse repassado pelo governo estadual, estaríamos sem essas obras.

Então porque uma ponte no centro, que tem recurso disponível no BID, e não depende de desapropriações, não é executada? Blumenau não precisa só de uma ponte, mas que pelo menos execute essa e depois busque dinheiro para fazer a outra. É o povo que está sendo prejudicado. Por isso defendo o prolongamento da Rua Humberto de Campos, ligando à uma nova via, fazendo algo de longo prazo até a ponte do Badenfurt. Porque não adianta jogar o trânsito na Rua General Osório e deixá-lo estrangulado até a ponte do Badenfurt.

OBlumenauense: A Operação Tapete Negro, acabou prejudicando a imagem da gestão passada, que era do PSD. Você tem receio que atrapalhe o trabalho nas eleições do partido em Blumenau?

Jean Kuhlmann: Não, até porque hoje não se tem mais notícia dela e nem uma denúncia foi aceita efetivamente. Aparenta ter sido mais uma ação política do que técnica. Pessoalmente não me preocupo, porque nunca tive nenhum envolvimento e sequer fui citado. Portanto não tenho nenhuma relação com esse processo. Acredito que não deve prejudicar em nada, até porque ela simplesmente está parada.

Claus Jensenhttp://www.oblumenauense.com.br
Trabalhei com publicidade há mais de 30 anos, fiz teatro durante 8, apresentei programa de televisão outros 5 e sou blogueiro desde 2007. Mas minha maior paixão é a família, e claro, essa fascinante Blumenau.

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