Jazz, blues e arte digital transformam estacionamento de Mausoléu em Blumenau

A noite desta sexta-feira (31/07) do Texneo Novum Festival reuniu talentos e intervenções visuais em uma experiência que foi além da música. Assista ao vídeo no fim da matéria.

Foto: Claus Jensen [OBlumenauense]

Quando a noite desta sexta-feira (31/07/26) caiu sobre a Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais, o estacionamento localizado atrás do Mausoléu Dr. Blumenau deixou de ser apenas um espaço de passagem. Cercado por árvores, o bosque ganhou novas cores à medida que feixes de luz atravessavam a vegetação e os troncos. A cada mudança nas projeções, o ambiente parecia respirar em outro ritmo, como se a própria natureza acompanhasse o compasso da música.

Foi nesse cenário que começou a primeira noite do Texneo Novum Festival. A abertura ficou por conta de Leo Maier & Caio Fernando, que percorreram as raízes do blues e do jazz em um repertório inspirado em nomes como Muddy Waters, Willie Dixon, Charlie Parker e Kenny Burrell. Voz, guitarra e baixo preenchiam o espaço enquanto o frio da última noite de julho reforçava a sensação de estar diante de algo íntimo. Não havia apenas um palco. Havia um ambiente inteiro participando da apresentação.

As cordas vibravam, a voz conduzia as melodias e, entre uma nota e outra, as projeções criadas pelo VITAartBR Estúdio levavam arte a um tecido estendido atrás dos artistas. Público, natureza e luzes se fundiam transformando o espaço em uma instalação onde blues e tecnologia viraram uma experiência única.

Na segunda parte, Electric Dreams levou essa viagem para outra direção. Inspirado nos clássicos de Miles Davis e no jazz elétrico de Herbie Hancock, o espetáculo aproximou o gênero dos sintetizadores, do funk, do groove, do hip hop e da música eletrônica. O público também acompanhou uma composição autoral do trompetista Gabriel Barbalho, que homenageou sua terra natal (São Paulo).

Além dele, a formação do grupo também reuniu Edilson Tatu (piano), Elio Lourenzo (saxofone), Tie Pereira (baixo) e Rodrigo Porciuncula (bateria). Enquanto os músicos construíam paisagens sonoras, as intervenções visuais seguiam transformando a mata ao redor em parte da apresentação. O trompete parecia responder às luzes. O saxofone encontrava ecos entre as árvores. O piano preenchia os espaços deixados pelo silêncio, enquanto baixo e bateria sustentavam um pulso que parecia se espalhar por todo o bosque.

Quem não conseguiu acompanhar a primeira noite ainda tem uma nova oportunidade de mergulhar nessa proposta. A programação continua neste sábado (1º/08), a partir das 19h30, com Lúcio Locatelli, músico, compositor, produtor e sonoplasta blumenauense, que apresenta um show de voz e violão.

Às 20h30, o palco recebe Djavan em Estado de Jazz, espetáculo que reúne Rafael Calegari Ramos, Luciano Bilu, Neto Fernandes e Tatupiano para revisitar a obra de Djavan sob a linguagem do jazz. A proposta é explorar novas interpretações, improvisações e nuances sonoras, mantendo o espírito de experimentação que marca o Texneo Novum Festival.

Há apresentações que podem ser contadas. Outras precisam ser vistas e ouvidas para fazer sentido. O vídeo produzido pelo OBlumenauense mostra um pouco dessa atmosfera criada entre música, luz e natureza na primeira noite do festival.


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