Japão chega invicto contra o Brasil e mostra que não é só “zebra” no mata-mata

Seleção asiática aposta em organização, velocidade e troca constante de posições para tentar surpreender a equipe brasileira na segunda fase da Copa.

Imagem (ilustrativa): OBlumenauense

O Brasil terá pela frente um adversário daqueles que não deixam o jogo confortável. O Japão chega ao mata-mata da Copa do Mundo de 2026 invicto, com uma campanha consistente e um jeito de jogar que exige atenção do primeiro ao último minuto.

A seleção japonesa terminou a primeira fase em segundo lugar no Grupo F. Empatou com a Holanda em 2 a 2, goleou a Tunísia por 4 a 0 e voltou a empatar, desta vez em 1 a 1 com a Suécia. Foram sete gols marcados e três sofridos. Números que ajudam a explicar por que o time comandado por Hajime Moriyasu não pode ser tratado como um simples coadjuvante.

O ponto mais forte do Japão está no coletivo. A equipe costuma atuar em um sistema com três zagueiros, mas esse desenho muda bastante durante a partida. Os alas avançam, os meias se aproximam, os atacantes saem da referência e, de repente, o adversário precisa marcar gente aparecendo por todos os lados. É um time que se mexe muito. E rápido.

O Japão gosta de trabalhar a bola pelo chão, com passes curtos, triangulações e infiltrações. Não é uma equipe que vive de chutão ou cruzamento sem direção. A proposta passa por ocupar bem os espaços, acelerar quando encontra brecha e pressionar logo depois de perder a bola. Para o Brasil, isso significa uma coisa: não dá para entrar desligado.

Entre os principais nomes está Ayase Ueda, centroavante que marcou dois gols na fase de grupos e virou a referência ofensiva da equipe. Forte dentro da área, também sabe fazer o pivô e abrir caminho para quem vem de trás. Keito Nakamura é outro jogador que chama atenção, com velocidade, drible curto e chegada ao ataque. Já Daichi Kamada funciona como uma espécie de organizador, aquele jogador que dita o ritmo e encontra passes entre as linhas.

Ritsu Doan também merece cuidado. Canhoto, técnico e acostumado a partir da direita para dentro, participa bastante da criação das jogadas. No gol, Zion Suzuki apareceu bem, principalmente contra a Suécia, quando fez defesas importantes e ajudou a segurar o empate.

Nem tudo, porém, é ponto forte. A defesa japonesa pode sofrer contra jogadores mais fortes fisicamente, especialmente no jogo aéreo. Outro caminho para o Brasil pode estar nas costas dos alas, já que eles avançam bastante e deixam espaços quando a recomposição não encaixa.

O Japão ainda convive com dúvidas importantes. Takefusa Kubo, um dos nomes mais conhecidos da equipe, se lesionou na estreia e virou incerteza para o mata-mata. O zagueiro Kō Itakura também deixou o último jogo com dores. Já Wataru Endō ficou fora da Copa por lesão antes mesmo do torneio começar.

Mesmo assim, a seleção japonesa chega embalada por um ciclo forte. Antes da Copa, foram 42 jogos, com 33 vitórias, cinco empates e apenas quatro derrotas. Um aproveitamento que mostra regularidade e ajuda a entender a confiança da equipe.

Contra o Brasil, o Japão dificilmente vai apenas se defender. Deve tentar jogar, trocar passes e incomodar com movimentações constantes. Para a Seleção Brasileira, o desafio será ter paciência, usar a força física quando puder e aproveitar a qualidade individual nos duelos diretos. Porque este Japão pode não ter o mesmo peso histórico dos gigantes do futebol, mas já mostrou que sabe competir.

Brasil 

Se o Japão aposta na força do coletivo, o Brasil tem mostrado uma combinação entre organização tática e talento individual. Desde a chegada de Carlo Ancelotti, a Seleção deixou de depender apenas das jogadas de efeito e passou a apresentar um time mais equilibrado, com linhas compactas, boa recomposição defensiva e ataques mais objetivos.

Na fase de grupos, o Brasil terminou na liderança da chave. Estreou empatando com Marrocos, venceu o Haiti por 3 a 0 e confirmou a classificação ao bater a Escócia por 3 a 0, em uma atuação considerada a mais consistente da equipe até agora. Vinícius Júnior foi o grande destaque, enquanto Matheus Cunha, Rayan e Bruno Guimarães também tiveram participação importante na evolução do time.

O confronto coloca frente a frente dois estilos bem diferentes. O Japão procura controlar o jogo com posse de bola, movimentação intensa e troca constante de posições. O Brasil, por sua vez, não faz questão de manter a bola o tempo todo. Tem sido mais vertical, acelera quando recupera a posse e explora bastante a velocidade de Vinícius Júnior pelos lados do campo, além das infiltrações dos homens de frente.

Outro contraste está na forma de defender. Enquanto os japoneses pressionam alto e procuram recuperar a bola rapidamente, a equipe brasileira tem demonstrado mais paciência. Marca de forma organizada, fecha os espaços e espera o momento certo para acelerar o contra-ataque. Essa postura também diminuiu o número de chances cedidas aos adversários durante a primeira fase.

Individualmente, o Brasil também leva vantagem. Além do excelente momento de Vinícius Júnior, que vive uma das melhores fases da carreira, Ancelotti ganhou mais opções ofensivas com Matheus Cunha e Rayan, enquanto Neymar voltou a ser utilizado de forma gradual, sem a responsabilidade de carregar sozinho o peso da criação das jogadas.

O duelo, portanto, tende a ser decidido justamente nesse choque de características. De um lado, um Japão disciplinado, veloz e que aposta na inteligência coletiva. Do outro, um Brasil mais sólido do que em edições recentes da Copa, capaz de controlar o ritmo da partida e, quando encontra espaço, resolver o jogo com a qualidade técnica de seus atacantes. Se a seleção brasileira conseguir neutralizar a movimentação japonesa e explorar os corredores deixados pelos alas, terá boas chances de confirmar o favoritismo.


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