Intenção de consumo recua em março, mas segue acima do nível de satisfação em SC

Queda é puxada por piora na percepção atual das famílias e aumento da cautela para gastos futuros.

Imagem (ilustrativa): OBlumenauense

Antes de comprar algo maior ou até de gastar no dia a dia, muitas famílias estão pensando duas vezes. Esse comportamento apareceu nos dados divulgados pela Fecomércio/SC nesta terça-feira (31/03/26): em março, a intenção de consumo caiu 2,8% em Santa Catarina.

Nos dois meses anteriores, o cenário era diferente. O índice havia subido 2,7% em janeiro e 0,5% em fevereiro, o que mostra que março trouxe uma mudança de direção. Mesmo assim, o resultado ainda é considerado positivo: o indicador ficou em 109,7 pontos.

Para entender melhor: esse índice mede o quanto as famílias estão dispostas a consumir. Ele leva em conta fatores como renda, emprego, acesso ao crédito e expectativa para o futuro. Quando o resultado fica acima de 100 pontos, significa que as pessoas, em geral, estão mais confiantes para gastar.

Apesar disso, o comparativo com o ano passado acende um alerta. Em relação a março de 2025, houve queda de 2,7%, indicando que o consumo perdeu força ao longo do tempo. Ainda assim, Santa Catarina segue melhor que a média do Brasil, que ficou em 104,6 pontos.

O principal sinal de freio veio das compras do dia a dia. O nível de consumo atual caiu 5,8% no mês, mostrando que as famílias estão reduzindo gastos. Essa queda também aparece quando se olha para o último ano, com recuo de 3,4%.

Além disso, o futuro passou a ser visto com mais cautela. A expectativa em relação ao trabalho caiu 5,1% no mês, embora ainda esteja levemente melhor que há um ano. Já a intenção de consumir nos próximos meses recuou 3,2% e caiu 6,6% na comparação anual.

Quando o assunto é dinheiro e emprego, o cenário também perdeu força. A satisfação com a renda caiu 2,2% no mês e mais de 5% em relação ao ano passado. Já a percepção sobre o emprego teve uma leve queda.

Esse cuidado fica ainda mais evidente nas compras maiores. A intenção de comprar bens como móveis e eletrodomésticos caiu 3,0% no mês e mais de 7% em um ano. Ou seja, muita gente está adiando esse tipo de gasto.

Um dos poucos pontos positivos foi o acesso ao crédito, que teve uma leve alta. Ainda assim, não foi suficiente para mudar o cenário geral de cautela.

No fim, o que os dados mostram é um consumidor mais atento. As famílias continuam consumindo, mas com mais planejamento e menos impulso. Para o comércio, isso significa que as vendas seguem acontecendo — só que agora dependem muito mais da segurança financeira de quem está comprando.


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