Indústria de Blumenau aposta em multigeracionalidade diante de mudanças no mercado

Com menos desemprego e população acima dos 60, a empresa investe em jovens e aposentados para manter resultados.

O país vive um daqueles momentos que não cabem em uma única manchete. De um lado, o menor nível de desemprego da série histórica em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Do outro, um Brasil que envelhece rápido: o Censo de 2022 mostra que a população com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos.

Esse encontro de curvas, entre menos mão de obra disponível e maior longevidade da população, já começa a mexer com a lógica das empresas. Em vez de buscar um perfil ideal, cresce a necessidade de integrar perfis diferentes. Não é mais sobre escolher entre juventude ou experiência, mas sobre fazer essas duas forças trabalharem juntas.

Foto: Leo Laps / Divulgação

Em Blumenau, uma indústria já sente esse movimento no chão de fábrica. A Blumenau Iluminação decidiu olhar para dentro e perceber que a resposta não estava fora, mas no equilíbrio entre gerações. A estratégia ganhou forma em programas que acolhem desde quem está começando até quem já poderia estar aposentado.

Para Michelle Szpoganicz, gerente de Recursos Humanos, a mudança não é apenas operacional — é cultural. “São muitas forças convergentes sobre a mesma realidade e criar soluções a partir disso se tornou imprescindível para mantermos um time engajado e com uma performance acima da média”, afirma.

“Nós vemos uma grande oportunidade de impulsionar resultados com as diversidades e com as multigerações. Somos uma empresa de mais de 45 anos, familiar, que tem no convívio entre pessoas de diferentes gerações uma das suas forças. Estamos nos apropriando cada vez mais disso em um momento que este é o caminho para o qual o mundo caminha”, completa.

Foto: Leo Laps / Divulgação

Os números internos ajudam a contar essa história. Em 2025, a fábrica bateu cinco vezes o recorde de produtividade, já com profissionais inseridos em modelos de trabalho mais flexíveis. É o tipo de dado que, no fim, fala a língua que o mercado entende: resultado.

Entre as iniciativas está o Projeto Colonial, que abre espaço para profissionais mais experientes continuarem ativos. A proposta inclui jornadas reduzidas, seja por meio período diário ou em apenas quinze dias no mês. Uma forma de adaptar o trabalho à vida — e não o contrário.

O nome não é por acaso. A Linha Colonial, que inspira o projeto, atravessa décadas sendo produzida pela empresa, resistindo ao tempo e se adaptando às tendências. “Escolhemos o nome por remeter à valorização da experiência. Esta é uma linha que resiste ao tempo, que vai se reinventando nas tendências”, explica Michelle.

Na outra ponta, o Jovem Aprendiz mantém a porta aberta para quem chega agora. Desde 1994, jovens entre 14 e 24 anos entram na empresa para aprender, testar caminhos e entender o funcionamento do negócio. Muitos ficam.

“Quando encontra uma área com a qual gosta de contribuir e se sente acolhido, muitas vezes o jovem acaba se tornando um profissional importante para o time e segue conosco”, relata Michelle.

O que se desenha não é apenas uma estratégia de recursos humanos. É um sinal de como a economia começa a se reorganizar diante de uma nova realidade demográfica. E talvez a principal lição esteja justamente aí: o futuro do trabalho não pertence a uma geração — ele será construído no encontro entre elas.


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