Todo dia, antes do amanhecer, as linhas de produção de frigoríficos espalhados pelo interior de Santa Catarina já estão em movimento. Frangos, suínos, grãos — o estado que ocupa menos de 1% do território brasileiro coloca comida na mesa de consumidores em dezenas de países.
Em 2025, a fabricação de produtos alimentícios cresceu 5,9% no estado, praticamente quatro vezes a média nacional de 1,5% registrada pelo IBGE no mesmo período. O desempenho colocou Santa Catarina na quarta posição do ranking nacional, atrás apenas de Rio Grande do Sul (7,1%), Pará (7%) e Rio de Janeiro (6,1%). Para um setor que já partia de uma base consolidada, avançar nesse ritmo não é trivial.
Do campo à fábrica
O chão da indústria começa no campo. A safra de grãos 2024/25 encerrou com alta de 20,7% no volume total produzido — Santa Catarina colheu 7,85 milhões de toneladas, contra 6,5 milhões no ciclo anterior. Entre as culturas agrícolas que mais se destacaram estão o trigo com expansão de 40,5%; seguido pelo milho (+24,7%), soja (+19,1%), feijão (+14,1%) e arroz (+12,2%).
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, o trio responsável pelo resultado foi clima favorável, produtividade recorde e investimentos em tecnologia. Parte desse grão que saiu do campo voltou transformado: como ração que alimentou aves e suínos, como matéria-prima de produtos processados, como commodity exportada com valor agregado catarinense.
US$ 4,5 bilhões em carnes para o mundo
No acumulado de 2025, Santa Catarina exportou 2 milhões de toneladas de carnes — frangos, suínos, perus, patos, marrecos, bovinos e outras espécies. A receita chegou a US$ 4,5 bilhões, alta de 8,4% sobre 2024, bem acima dos 4,4% de crescimento das exportações totais do estado no mesmo período, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A carne de frango sozinha respondeu por 1,2 milhão de toneladas e US$ 2,45 bilhões em receita — crescimento de 3% em quantidade e 6,9% em valor. Os suínos também quebraram recordes: 748,8 mil toneladas exportadas, US$ 1,85 bilhão faturado, com alta de 4,1% em volume e 9,4% em valor.
A fabricação de alimentos foi um dos segmentos industriais com maior expansão em Santa Catarina no ano — e puxou indicadores econômicos mais amplos do estado para cima.
Quatro vezes a média do país. Uma safra recorde. Dois milhões de toneladas de carne cruzando oceanos. Santa Catarina não apenas produz comida — exporta o ritmo com que sabe fazê-la.






