A inflação oficial do país voltou a ganhar força em março, impulsionada principalmente pelos custos de transporte e alimentação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% no mês, avanço superior ao registrado em fevereiro (0,70%), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10/04/26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado indica uma aceleração de 0,18 ponto percentual e reforça um cenário de pressão sobre o custo de vida, especialmente em itens essenciais. No acumulado do ano, o IPCA chega a 1,92%. Em 12 meses, soma 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período anterior. Em março de 2025, a taxa havia sido de 0,56%.
Combustíveis lideram pressão inflacionária
O principal vetor da alta veio dos transportes, que avançaram 1,64% no mês — maior variação entre os nove grupos pesquisados. A gasolina teve papel central, com aumento de 4,59%, gerando impacto direto de 0,23 ponto percentual no índice geral.
Outros itens também contribuíram, ainda que com menor peso: passagens aéreas subiram 6,08% e o diesel registrou alta expressiva de 13,90%. De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, já é possível perceber reflexos das incertezas no cenário internacional, sobretudo no comportamento dos combustíveis.
Alimentação pesa no orçamento doméstico
O grupo alimentação e bebidas teve alta de 1,56% e foi o segundo maior impacto no mês. Produtos básicos puxaram o avanço, com destaque para o leite longa vida, que subiu 11,74%, e o tomate, com alta de 20,31%.
Juntos, esses dois itens responderam por 0,12 ponto percentual do IPCA. Considerando também gasolina, diesel e passagens aéreas, os cinco principais subitens concentraram 0,43 ponto percentual da inflação de março — quase metade do índice total.
Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio subiu 1,94%, maior variação desde abril de 2022. O movimento combina redução na oferta de alguns produtos e aumento nos custos de transporte, influenciados pelo encarecimento dos combustíveis.
Alta generalizada, mas com intensidade desigual
Todos os nove grupos de produtos e serviços apresentaram aumento em março. Após transportes e alimentação, os destaques foram despesas pessoais (0,65%) e saúde e cuidados pessoais (0,42%).
No caso das despesas pessoais, o avanço foi puxado por atividades culturais, como cinema, teatro e concertos, que subiram 3,95%. Já em saúde, o aumento dos planos de saúde (0,49%) teve maior influência.
Habitação registrou alta de 0,22%, com impacto da energia elétrica residencial (0,13%). Mesmo com a manutenção da bandeira tarifária verde — sem cobrança extra — houve reajustes relevantes em concessionárias, especialmente no Rio de Janeiro.
Também pesaram ajustes na taxa de água e esgoto em Porto Alegre (6,21%) e reduções no gás encanado em cidades como Curitiba e Rio de Janeiro.
Diferenças regionais mostram impactos distintos
Entre as regiões pesquisadas, Salvador apresentou a maior inflação do mês (1,47%), influenciada pela forte alta da gasolina (17,37%) e das carnes (3,56%). Na outra ponta, Rio Branco teve a menor variação (0,37%), beneficiada pela queda nos preços da energia elétrica (-3,28%) e das frutas (-3,72%).
INPC segue trajetória semelhante
Voltado às famílias de menor renda, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também acelerou, atingindo 0,91% em março, acima dos 0,56% de fevereiro. O indicador acumula alta de 1,87% no ano e 3,77% em 12 meses, superando os 3,36% do período anterior. Em março de 2025, havia registrado 0,51%.
Assim como no IPCA, Salvador liderou as altas regionais (1,52%), enquanto Rio Branco teve a menor variação (0,33%). No caso do INPC, pesaram a gasolina e o tomate na capital baiana, e a queda da energia elétrica e do óleo de soja na capital acreana.
Como o índice é calculado
O IPCA mede a variação do custo de vida para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Já o INPC considera domicílios com rendimento de 1 a 5 salários mínimos, com chefe assalariado.
Segundo o IBGE, os dados de março comparam preços coletados entre 4 e 31 de março de 2026 com aqueles vigentes de 30 de janeiro a 3 de março. Calculado desde 1979, o INPC abrange dez regiões metropolitanas e também municípios como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
Com informações da Agência Brasil





