Grupo Vida Nova: 22 anos de dança, acolhimento e força na Rede Feminina de Combate ao Câncer

Criado em 2003, projeto reúne pacientes mastectomizadas todas as segundas-feiras e transforma o auditório da instituição em um espaço de movimento, cuidado e reencontro com a vida.

Foto: Jaime Batista da Silva [Blog do Jaime]

O auditório da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Blumenau se abriu em roda na tarde da última segunda-feira (17/11/25). As cadeiras foram retiradas do centro e encostadas nas paredes para que as participantes do Grupo Vida Nova formassem um grande círculo de boas-vindas.

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No centro, música, passos leves e risos compartilhados marcaram o encontro que, há 22 anos, transforma as segundas-feiras em um momento esperado por todas. Nesta edição, o grupo recebeu Marlise Cardoso Jensen e o comunicador Jaime Batista da Silva, do Blog do Jaime, que foi convidado a dançar e conhecer de perto a energia que move o projeto.

Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
A história do Grupo Vida Nova começou em 2003, quando a voluntária Irani Odebrech — então recém-chegada à Rede — convidou a professora Braulia Maria Reinert Iñarra para iniciar um trabalho de dança voltado às pacientes mastectomizadas. O convite nasceu da amizade das duas nos Grupos de Dança Sênior. A iniciativa começou pequena, com apenas cinco mulheres, mas logo cresceu, impulsionada pelo acolhimento da Rede Feminina e pela dedicação de Braulia, que permaneceu voluntária por quase 21 anos.

Desde então, as segundas-feiras das 14h às 16h se tornaram um ponto fixo de encontro. Antes da aula, há sempre conversas, abraços, risadas e aquela alegria simples que antecede o movimento. Hoje, o grupo reúne 23 dançarinas — duas delas em tratamento, aguardadas com carinho para o retorno — além da professora Tharita Tiago. “É uma vida nova depois do câncer”, resume Marly das Graças Correia Zanella, uma das participantes mais antigas, frase que acabou se tornando definição natural do grupo.

Segundo Tharita, a dança funciona como estímulo físico e emocional, mas o apoio da Rede Feminina vai muito além do movimento. Muitas integrantes aproveitam a segunda-feira para realizar a “luva” — uma drenagem linfática com aparelhos, acompanhada pelas voluntárias do setor das mastectomizadas e por fisioterapeutas. Outras passam por atendimento psicológico, orientação nutricional, reiki, assistência social ou outros serviços oferecidos gratuitamente pela instituição, sustentada pelo trabalho das voluntárias — as conhecidas “Anjos Cor de Rosa”.

Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
Durante o encontro desta semana, relatos emocionaram veteranas e recém-chegadas. Marlise compartilhou sua trajetória após o diagnóstico e reforçou o papel fundamental da Rede no acolhimento de mulheres que, de um dia para o outro, se veem sem chão. Outras participantes lembraram histórias marcadas pelo abandono, pelo apoio da família ou pela própria fé, que ocupa lugar central nas narrativas do grupo. “A presença de Deus é marcante nesses 22 anos. É Ele quem nos deu uma vida nova”, disse uma delas.

O grupo segue um ritmo próprio: há livro de presença, horários marcados e a disciplina espontânea de quem descobriu na dança uma forma de reconstrução. Mas, acima das regras, prevalece o ambiente de união. “A cada segunda-feira, antes mesmo da música começar, já é uma celebração”, relata Marly, que testemunhou a transformação do projeto desde o primeiro dia.

A visita de Jaime Batista da Silva trouxe ainda mais entusiasmo ao encontro. Ele foi convidado a entrar na roda, dançou com o grupo e compartilhou da alegria que define o Vida Nova. A participação foi simbólica: uma forma de mostrar que o movimento, ali, não é apenas físico — é encontro, coragem, recomeço e, principalmente, vida.

Hoje, ao olhar para trás, as integrantes lembram que tudo começou com cinco mulheres e o desejo de transformar a dor em algo maior. Duas décadas depois, o círculo cresceu, as histórias se multiplicaram e o auditório da Rede Feminina segue abrindo espaço, toda segunda-feira, para novas dançarinas que encontram ali algo essencial: acolhimento, esperança e a chance de renascer.

Por isso o tema da camiseta do Outubro Rosa de 2025 foi a Fênix, uma ave mítica que, ao morrer consumida pelo fogo, renasce das próprias cinzas, simbolizando renovação e recomeço. Sua lenda representa força, transformação e a capacidade de surgir ainda mais forte após a adversidade.

Confira o vídeo:

Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
Foto: Jaime Batista da Silva [Blog do Jaime]
Foto: Jaime Batista da Silva [Blog do Jaime]
Foto: Jaime Batista da Silva [Blog do Jaime]


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