Governo de SC aposta R$ 7,87 milhões em ciência para enfrentar pragas e elevar produtividade no campo

Parceria entre Epagri, SAPE e Fapesc financia 54 projetos de pesquisa; foco está em maçã, uva resistente e ganhos de competitividade para o produtor.

Foto: EPAGRI / Divulgação

O campo catarinense está prestes a receber uma injeção de ciência. A partir de agora, laboratórios e estações de pesquisa se tornam a linha de frente para resolver alguns dos desafios dos produtores rurais e aquícolas do estado. Um pacote de R$ 7,87 milhões, descrito pelo presidente da Epagri como “inédito na história da empresa”, vai financiar uma verdadeira maratona de inovação pelos próximos dois anos.

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Os recursos, fruto de uma parceria entre a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (EPAGRI), Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAPE) e Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) – via Edital de Chamada Pública Fapesc nº 44/2025 –, serão destinados a um plano de ação com várias frentes.

A agenda da inovação envolve:

  • Uma ofensiva científica contra as principais doenças da maçã, a fruta que coloca Santa Catarina no mapa – responsável por 51% de toda a produção nacional. O alvo são a Mancha Foliar de Glomerella (MFG) e a Podridão Carpelar (PCA), com testes de manejo em pomares de São Joaquim e Fraiburgo.
  • A importação e os primeiros testes com 11 variedades de uva “super-resistentes” (as PIWI), trazidas da Itália e Alemanha, que naturalmente enfrentam os fungos míldio e oídio.
  • Suporte técnico especializado para viticultores que já trabalham com essas uvas duráveis, como as variedades Calardis Blanc e Felicia, para aprimorar desde o culturo até a vinificação.
  • A formação de um time de quase uma centena de novos talentos, com 92 bolsas de pesquisa em áreas como agronomia, veterinária e biologia, para apoiar os projetos no campo e no laboratório. A contratação será feita por cada coordenador de projeto, via chamamento público.
  • Estudos para criar arranjos produtivos mais inteligentes e estratégias que elevem a competitividade de toda a agropecuária e aquicultura estadual.

No total, são 54 projetos que vão ocupar todas as unidades de pesquisa da Epagri em território catarinense, divididos nessas quatro grandes linhas. Para o presidente Dirceu Leite, a jogada é fundamental. “Inovar é o ponto de partida para garantir produtos cada vez mais sustentáveis, resilientes, com maior qualidade e menor custo”, avalia, lembrando o papel estratégico do setor.

Um dos projetos de pesquisa aplicada tem o objetivo de aprimorar o manejo fitossanitário da maçã | Foto: Divulgação/Epagri

A aposta na maçã é uma prova de como a ciência pode transformar uma cadeia inteira. Reney Dorow, diretor de pesquisa da Epagri, faz uma retrospectiva: “Até a década de 1980, o Brasil era inexpressivo na produção. Graças a programas de melhoramento iniciados nos anos 1990, nos tornamos autossuficientes e passamos de importador a exportador”. Agora, o salto necessário é de proteção e eficiência.

Já no universo dos vinhedos, a busca é por variedades que reduzam a dependência de defensivos, um anseio antigo dos produtores e um diferencial de mercado em crescimento.

Para Leite, iniciativas como essas materializam a missão da Epagri: “A pesquisa aplicada tem a premissa de resolver os problemas reais e urgentes do produtor rural catarinense”. O fio condutor de todos os projetos, segundo ele, é conectar a bancada do pesquisador à realidade do campo.

Com informações do Governo de Santa Catarina

Parreira de uva | Foto: Roberto Zacarias [Secom/GovSC]

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