Quando pensamos em florestas tropicais, logo vêm à mente árvores imensas e verdes durante todo o ano. Mas o que acontece quando a chuva falha? Para responder a essa pergunta, um grupo internacional de cientistas reuniu informações de diferentes regiões do planeta e mediu como as secas afetam o crescimento das árvores e a capacidade de absorver carbono.
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A pesquisa foi publicada na Science, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo, e teve participação de professores e pesquisadores da FURB (Fundação Universidade Regional de Blumenau). Representando a instituição, estão as professoras Tatiele Anete Bergamo Fenilli e Karin Esemann Quadros, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), e o pesquisador de pós-doutorado Eduardo Adenesky Filho, do Laboratório de Monitoramento e Proteção Florestal (LAMPF).

O estudo, intitulado “Pantropical tree rings show small effects of drought on stem growth”, utilizou um método chamado dendrocronologia, que analisa os anéis de crescimento nos troncos das árvores.
Esses anéis funcionam como uma linha do tempo natural, permitindo identificar quanto uma árvore cresceu em cada ano e relacionar isso com dados de clima. Ao todo, foram examinadas 483 cronologias de crescimento em florestas tropicais espalhadas pelo mundo.
O que foi descoberto
Os dados mostram que, nos anos mais secos, o crescimento dos troncos caiu, em média, 2,5%. Em 25% dos casos, a redução ultrapassou 10%. O impacto foi mais forte em regiões quentes e secas, e em espécies gimnospermas quando comparadas às angiospermas. Apesar disso, o efeito geralmente é temporário, limitado ao ano da seca.
Por que isso importa
As florestas tropicais são fundamentais para equilibrar o clima global, pois absorvem e armazenam grandes quantidades de carbono. A boa notícia é que, até agora, elas têm mostrado resiliência às secas, conseguindo manter parte dessa função vital.
Os pesquisadores alertam: se a frequência e a intensidade das secas aumentarem devido às mudanças climáticas, essa capacidade poderá ser comprometida a longo prazo, ameaçando um dos principais mecanismos naturais de controle do aquecimento global.
Sobre os pesquisadores da FURB
Tatiele Anete Bergamo Fenilli – Doutora em Ciências (Energia Nuclear na Agricultura), pesquisa produção florestal e recuperação de áreas degradadas.
Karin Esemann Quadros – Doutora em Ciências Biológicas, especialista em anatomia vegetal e dendrocronologia.
Eduardo Adenesky Filho – Doutor em Engenharia Florestal, atua em restauração ecológica, controle biológico e dendrocronologia.
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