Fraude bancária desvia R$ 339 mil de universidade em SC, diz Ministério Público

Operação Blind Eye cumpre mandados em Goiás e Rio Grande do Sul e mira rede de “laranjas conscientes” que estaria envolvida na lavagem do dinheiro.

Foto: GAECO/SC

Um esquema de fraude bancária que desviou R$ 339.930,00 de uma instituição de ensino superior em Santa Catarina é alvo da Operação Blind Eye, deflagrada na manhã desta quinta-feira (15/01/26) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO, em parceria com a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Chapecó.

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De acordo com o MPSC, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos estados de Goiás e Rio Grande do Sul, com o objetivo de desarticular a rede responsável por movimentar e ocultar os valores desviados. A operação tem como alvos principais seis pessoas apontadas como responsáveis por receber e dispersar o dinheiro por meio de contas bancárias controladas conscientemente.

Como funcionava o esquema

A investigação aponta que os criminosos utilizaram malwares bancários avançados para capturar as credenciais de acesso de uma funcionária da universidade. A partir desse acesso, foram realizadas transferências via Pix, TED e pagamentos de boletos, em uma operação planejada para ser executada em questão de minutos.

Para tentar despistar as autoridades, os responsáveis usaram VPNs com servidores na Holanda, dificultando o rastreamento imediato. Ainda assim, com a quebra do sigilo telemático e bancário autorizada pela Vara Regional de Garantias da Comarca de Chapecó, foi possível identificar o caminho de cada parte do valor desviado.

Segundo o Ministério Público, os recursos foram pulverizados em contas abertas exclusivamente para esse fim, característica comum em esquemas de lavagem de dinheiro.

Foto: GAECO/SC

“Laranjas conscientes” e o conceito de cegueira deliberada

O foco desta fase da operação, segundo o MPSC, é responsabilizar os titulares das contas envolvidas, classificados como “laranjas conscientes”. De acordo com os investigadores, eles participaram voluntariamente do esquema, cedendo seus dados bancários em troca de benefícios financeiros. A conduta é enquadrada no conceito jurídico de “cegueira deliberada” — quando alguém opta por ignorar sinais evidentes de ilegalidade para obter vantagens.

O nome da operação, Blind Eye (olho cego), faz alusão direta a esse comportamento, apontado como peça-chave para viabilizar crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro.

Cooperação entre estados e andamento da investigação

A operação contou com apoio do GAECO do Ministério Público de Goiás, além de agentes das Polícias Civis de Goiás e do Rio Grande do Sul no cumprimento dos mandados.

Os materiais apreendidos serão analisados pela Polícia Científica, que deverá emitir laudos periciais. As evidências obtidas servirão para identificar outros envolvidos e aprofundar o entendimento da estrutura da rede criminosa. As investigações seguem sob sigilo judicial.

O que são o GAECO e o CyberGAECO

O GAECO é uma força-tarefa do Ministério Público de Santa Catarina com atuação integrada da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, voltada ao combate às organizações criminosas.

Já o CyberGAECO é um núcleo especializado dentro do GAECO, que atua especificamente na prevenção e repressão de crimes cometidos em ambientes virtuais, como fraudes eletrônicas e crimes cibernéticos de alta complexidade.


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