Em meio ao aquecimento tradicional do varejo no fim do ano, a Operação Natal Seguro, realizada pelo Instituto de Metrologia de Santa Catarina (Imetro-SC), lança luz sobre práticas que comprometem tanto a segurança do consumidor quanto a transparência comercial. A ação fiscalizou mais de 135 mil itens no estado, revelando falhas em produtos que movimentam grande parte da economia natalina: brinquedos, luminárias e alimentos típicos das festas.

O impacto nos alimentos sazonais
A cadeia alimentícia ligada às festas de fim de ano, que inclui panetones, aves, frutas secas, pescados e bebidas, passou por uma varredura técnica em 26 municípios catarinenses. Foram verificadas 17.548 embalagens em supermercados, atacadistas, distribuidoras e indústrias.
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Dos 1.349 lotes submetidos a análises preliminares, 37 apresentaram suspeitas e foram enviados ao laboratório do Imetro-SC. O diagnóstico final reprovou 15 lotes por apresentarem menos produto do que o declarado no rótulo — um dado sensível que impacta diretamente a relação de confiança entre marcas e consumidores.
Além de afetar o consumidor final, essas irregularidades podem comprometer a reputação de fabricantes e gerar consequências legais. Ações como essa tendem a provocar reações no setor produtivo e logístico, já que a conformidade técnica se torna elemento essencial para manter competitividade e evitar penalizações.

Brinquedos e enfeites: gargalos de conformidade
No segmento de bens duráveis e utilidades de temporada, o cenário foi ainda mais preocupante. Entre os 117.751 produtos fiscalizados — incluindo brinquedos, bicicletas infantis e luminárias natalinas —, 80.023 apresentaram algum tipo de irregularidade. Isso representa um índice de reprovação de 68%, com predominância de falhas em brinquedos.
A principal ausência detectada foi o número de registro obrigatório no Selo do Inmetro — um dado que comprova que o item passou por testes de segurança quanto a riscos físicos, químicos, acústicos e de inflamabilidade. Sem esse registro, o produto está tecnicamente irregular para comercialização no país.
A situação acende um alerta para o setor varejista, especialmente para pequenos lojistas e distribuidores, que podem estar adquirindo mercadorias sem o devido controle de origem ou sem checar as exigências legais. Além disso, o alto índice de não conformidade pode interferir na percepção de qualidade dos consumidores e impactar decisões de compra.

Regulação como instrumento de confiança
Para o Imetro-SC, a operação tem duplo objetivo: proteger o consumidor e garantir um ambiente de mercado mais justo. “Nosso trabalho é retirar do mercado produtos que não atendem aos requisitos mínimos de segurança ou que induzam o consumidor ao erro quanto à quantidade”, afirmou o presidente do órgão, Alexandre Soratto.
A fala reforça a função estratégica da regulação para sustentar a confiança nas relações de consumo — ainda mais em períodos de pico como o Natal. Ao agir preventivamente, o Instituto colabora para o equilíbrio entre proteção ao consumidor e responsabilidade empresarial.
Para além das penalizações, a fiscalização sinaliza tendências de comportamento no comércio sazonal, que movimenta bilhões de reais no Brasil entre novembro e dezembro. Manter produtos regulares no ponto de venda não é apenas uma exigência legal, mas também um diferencial competitivo — em especial em um mercado cada vez mais atento à procedência e à qualidade do que consome.
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