Na manhã desta segunda-feira (20/07/26), um dia depois de a Espanha vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistar o bicampeonato da Copa do Mundo de 2026, os quatro maiores jornais esportivos e de informação geral do país — Marca, AS, El País e La Vanguardia — trataram a decisão como mais do que um título. Em comum, eles destacaram que a seleção espanhola assumiu o controle da final e confirmou a força de uma geração que deve marcar a próxima década.
O Marca abriu sua cobertura destacando o gol de Ferran Torres na prorrogação e o fim do reinado da Argentina. O AS buscou um paralelo com a conquista de 2010 ao resumir o bicampeonato com a frase “Como la primera vez”. Para os dois veículos, a Espanha foi superior na decisão disputada em Nova Jersey e voltou ao topo do futebol mundial.
Já os jornais de informação geral deram mais peso ao significado da conquista. O El País definiu a campanha como a vitória de um time que soube jogar e competir até o fim, enquanto o La Vanguardia comparou Ferran Torres a Andrés Iniesta, autor do gol do título de 2010, ao afirmar que o atacante “se disfarçou de Iniesta” para colocar a Espanha novamente no topo do mundo.
As manchetes publicadas na Espanha encontraram respaldo no que aconteceu em campo na tarde de domingo (19). Diante de mais de 80 mil torcedores no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos EUA, a seleção espanhola controlou a maior parte da decisão contra a Argentina e precisou da prorrogação para confirmar o bicampeonato mundial.
O JOGO
A partida também marcou o encontro entre duas gerações. De um lado, o argentino Lionel Messi, aos 39 anos, disputava sua sexta e última Copa do Mundo. Do outro, uma Espanha formada por jogadores que simbolizam a renovação do futebol do país, como Lamine Yamal, Pedri, Gavi e Nico Williams. Nas arquibancadas, campeões mundiais de 2010, entre eles Iker Casillas, Xavi Hernández, Carles Puyol, Andrés Iniesta e Joan Capdevila, acompanharam o nascimento de outra equipe histórica.
Desde o início, a Espanha tomou a iniciativa da partida. O goleiro argentino Emiliano Martínez precisou fazer uma sequência de defesas para impedir que o placar fosse aberto ainda no tempo normal. Enquanto isso, a Argentina encontrou dificuldades para criar chances e passou boa parte da final sem conseguir levar perigo ao goleiro espanhol Unai Simón.
A situação argentina ficou ainda mais complicada nos acréscimos do segundo tempo. O volante Enzo Fernández recebeu cartão vermelho após uma entrada dura sobre o zagueiro espanhol Pau Cubarsí, deixando a atual campeã com um jogador a menos para disputar toda a prorrogação.
Mesmo com a vantagem numérica, a Espanha ainda precisou insistir. O atacante Nico Williams chegou a balançar as redes, mas o lance foi anulado. Pouco depois, o lateral Pedro Porro cruzou pela direita, Nico escorou para trás e o atacante Ferran Torres, que havia começado a partida no banco de reservas, finalizou de primeira para marcar o gol do título aos 106 minutos.
Em desvantagem, a Argentina passou a atacar com mais frequência. Lionel Messi tentou liderar a reação nos minutos finais, mas encontrou uma defesa espanhola sólida, que encerrou a campanha tendo sofrido apenas um gol em todo o Mundial.
O bicampeonato também reforçou a impressão de que a Espanha pode permanecer entre as principais forças do futebol por muitos anos. Com média de idade de 26,2 anos, a sexta menor da Copa, a seleção chega fortalecida para o Mundial de 2030, que terá o país como uma das sedes. Jogadores como Gavi, Pedri, Nico Williams, o volante Rodri e o lateral Marc Cucurella ainda estarão em idade para disputar o torneio.
O principal símbolo dessa renovação é Lamine Yamal. Aos 19 anos, o atacante espanhol tornou-se o campeão mundial mais jovem desde Ronaldo, em 1994. Diferentemente do brasileiro, que não entrou em campo naquela campanha, Yamal foi protagonista durante toda a Copa e agora ocupa o quarto lugar entre os campeões mais jovens da história do torneio.
Além do título, a Espanha alcançou outras marcas históricas. Tornou-se o primeiro país a reunir simultaneamente os títulos mundiais masculino e feminino e chegou a 38 partidas de invencibilidade, estabelecendo a maior sequência sem derrotas entre seleções e superando o antigo recorde da Itália.
Quando a taça foi erguida, a imagem resumiu a noite. Nas arquibancadas, os campeões de 2010 celebravam. Em campo, uma nova geração confirmava que o futuro da Espanha já havia começado.





