EUA elevam tarifa para 50%, mas excluem itens como aviões, veículos e suco de laranja

Decisão de Trump inclui críticas ao Brasil e isenta setores estratégicos da nova alíquota.

Foto: divulgação Campanha Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30/07/25) um decreto que eleva em 40 pontos percentuais as tarifas aplicadas sobre produtos importados do Brasil, totalizando uma alíquota de 50%. A medida foi anunciada junto à declaração de uma nova emergência nacional e traz implicações comerciais e políticas.

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A justificativa oficial é que o Brasil teria adotado medidas que, segundo o governo norte-americano, representam risco à segurança nacional, à economia e à política externa dos Estados Unidos. No documento, Trump faz críticas diretas ao governo brasileiro, com destaque para acusações de perseguição política, violações de direitos humanos e censura à liberdade de expressão.

Entre os alvos mencionados está o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de obrigar empresas dos EUA a censurar conteúdos políticos e fornecer dados de usuários. O caso do comentarista Paulo Figueiredo, residente em solo americano, também é citado como exemplo. Além disso, o decreto faz referência ao cancelamento dos vistos de Moraes, outros ministros do STF e seus familiares, determinado por Trump em 18 de julho.

Lista de produtos isentos

Apesar do tarifaço, uma lista de exceções foi divulgada no anexo da ordem executiva. Os produtos isentos representam alívio para setores como o agrícola, energético, aeronáutico e de transporte. Confira os principais:

Aeronaves civis e peças: Motores, sistemas elétricos, pneus, tubos, simuladores de voo e outros componentes estão fora da tarifa adicional.

Veículos e autopeças: Sedans, SUVs, minivans, vans de carga, caminhões leves e seus componentes seguem isentos.

Metais e produtos industriais: Itens de ferro, aço, alumínio, cobre e derivados, inclusive produtos semiacabados.

Fertilizantes e produtos agrícolas: Inclui fertilizantes comuns, castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja, fios de sisal, mica bruta e polpa de madeira.

Produtos energéticos: Carvão, gás natural, petróleo, querosene, óleos lubrificantes, parafina, betume e até energia elétrica.

Metais e minerais específicos: Como silício, ferro-gusa, alumina, estanho, ouro, prata, ferroníquel e ferronióbio.

Bens retornados aos EUA: Produtos enviados para conserto, modificação ou processamento.

Bens em trânsito: Desde que tenham embarcado antes da entrada em vigor da tarifa e cheguem aos EUA até 5 de outubro.

Itens pessoais de viajantes e doações humanitárias: Como alimentos, medicamentos, roupas, livros, CDs e obras de arte.

Governo brasileiro avalia impacto

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, comentou que as exceções representam um sinal positivo, mas não anulam os efeitos da nova tarifa sobre a economia brasileira. Segundo ele, o impacto precisa ser analisado com cuidado, já que alguns setores serão afetados de maneira mais significativa.

Ceron afirmou que o governo federal já tem pronto um plano para mitigar os efeitos do tarifaço e que ele foi concebido com flexibilidade suficiente para adaptar-se ao novo cenário. Com a lista de exceções, a expectativa é que ajustes mínimos sejam necessários.


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