Enquanto caminhões seguem lotando as rodovias do Sul do país, os governos de quatro estados tentam recolocar as ferrovias no centro da logística da região. O Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) deu mais um passo nessa direção ao lançar um edital para contratar uma empresa especializada que vai estudar o futuro da chamada Malha Sul.
Na prática, o trabalho vai ajudar Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul a defender uma proposta própria para a principal rede ferroviária da região. Hoje, a Malha Sul é operada pela Rumo, mas o contrato de concessão termina em fevereiro de 2027.
Antes de decidir como será a próxima concessão, o governo federal propôs dividir a malha ferroviária em três partes. É justamente esse modelo que preocupa os estados.
A avaliação do Codesul é simples: se uma ferrovia for dividida em trechos separados, alguns deles podem despertar interesse das empresas privadas, enquanto outros podem ficar de lado. Na prática, isso significaria mais investimentos em algumas regiões e menos em outras.
“Nós fomos designados pelos governadores a buscar um diálogo com o Governo Federal para entender os motivos do fatiamento proposto para a concessão da Malha Sul. Diante das dificuldades, entendemos que precisamos de subsídios para embasar a posição dos estados que é contrária a este modelo. Este estudo é mais uma tentativa de mostrar que quase 20% do PIB nacional não pode ser ignorado neste debate”, afirma o coordenador do Grupo de Trabalho de Ferrovias do Codesul, Beto Martins.
Para embasar essa discussão, o BRDE publicou o edital que vai selecionar uma consultoria especializada. A empresa escolhida terá a missão de analisar se uma ferrovia integrada, funcionando como uma única rede, seria mais eficiente e vantajosa para os quatro estados.
O estudo também vai avaliar como melhorar a ligação entre regiões produtoras e os portos. Isso pode facilitar o transporte de cargas como grãos, carnes, madeira e produtos industrializados, reduzindo custos e aumentando a competitividade das empresas da região.
Outro objetivo será revisar os estudos já feitos pela Infra S.A., estatal federal responsável pelo planejamento do setor. Com isso, os estados terão uma análise independente para apresentar suas próprias propostas durante as discussões sobre a nova concessão.
A escolha da empresa será feita com base em critérios técnicos e de preço. A abertura dos documentos está prevista para 17 de agosto. Os primeiros resultados devem ser entregues até 60 dias depois.
Embora o governo federal tenha programado audiências públicas para julho e receba sugestões até 10 de agosto, a expectativa dos estados é que a definição da nova concessão leve mais tempo. O leilão está previsto para dezembro de 2026, mas o cronograma pode ser estendido.
Por isso, o estudo ganha importância. A intenção é chegar ao debate com números, projeções e argumentos técnicos para defender uma ferrovia que funcione de forma integrada e atenda às necessidades dos quatro estados.
No fim das contas, a discussão vai muito além dos trilhos. O que está em jogo é a forma como produtos circulam pela região, chegam aos portos e seguem para o restante do Brasil e do mundo.





