O senador catarinense Esperidião Amin (PP) foi confirmado como integrante da comissão temporária criada pelo Senado para tratar com o Congresso dos Estados Unidos sobre a nova tarifa de importação de 50% que será aplicada a diversos produtos brasileiros. A missão oficial será realizada entre os dias 29 e 31 de julho (2025), durante o recesso parlamentar.
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A taxa, que entra em vigor em 1º de agosto, foi anunciada pelo governo dos EUA e afeta diretamente as exportações brasileiras de carne bovina, suco de laranja, café, aviões, celulose, óleo, cobre e couro, entre outros. O objetivo da comissão é abrir canais de diálogo político com parlamentares norte-americanos e buscar uma solução para o impasse, já que os canais diplomáticos tradicionais enfrentam dificuldades.
A comissão é presidida por Nelsinho Trad (PSD-MS), também presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e tem como titulares os senadores Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo; Tereza Cristina (PP-MS) e Fernando Farias (MDB-AL). Os suplentes são Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC), Rogério Carvalho (PT-SE) e Carlos Viana (Podemos-MG). Ainda não foi definida a composição final da comitiva que viajará a Washington.
Segundo a nota oficial divulgada pelo Senado, a missão tem caráter suprapartidário, institucional e estratégico, com foco na defesa dos interesses brasileiros em temas como comércio exterior, investimentos, cadeias produtivas, agricultura e segurança jurídica. A criação da comissão foi aprovada em Plenário na última terça-feira (15), por meio do requerimento RQS 556/2025.
De acordo com análises do mercado e da imprensa especializada, os setores mais afetados pela nova tarifa devem ser:
- Aeronáutico: a Embraer pode perder grande parte das exportações para os EUA, seu principal mercado.
- Agronegócio: café, suco de laranja e carne bovina, que têm forte presença no mercado americano, enfrentam risco de perda de competitividade.
- Celulose e papel: o Brasil é líder na exportação de celulose de eucalipto, matéria-prima usada em produtos como papel higiênico e embalagens.
- Minério e cobre: embora menos vulneráveis no curto prazo, também serão afetados.
Frigoríficos brasileiros, por exemplo, já avaliam suspender as exportações de carne para os EUA. O impacto pode se estender a produtores, cooperativas e indústrias que mantêm relações comerciais com o mercado norte-americano.
A expectativa é de que o grupo consiga sensibilizar congressistas americanos sobre os prejuízos gerados pela medida e evitar um agravamento na relação comercial entre os dois países.
A FIESC divulgou uma lista dos principais setores que serão afetados pelas tarefas em Santa Catarina:
Madeira e produtos de madeira – em 2024, 37,3% das exportações de SC para os Estados Unidos foram desse segmento. O setor está atualmente sob investigação para medir o impacto das importações de madeira e seus derivados sobre a segurança dos EUA – a chamada seção 232. Até o fim da investigação, as tarifas estão mantidas nos atuais patamares.
Veículos automotores e autopeças – as exportações do ramo têm participação de 14,8% no total das vendas externas catarinenses para os EUA. Hoje, estão submetidos a tarifa de 25%.
Equipamentos elétricos – responsáveis por 13,3% das exportações do estado para os Estados Unidos. Serão submetidos a tarifa de 50%.
Máquinas e equipamentos – responsáveis por 6,8% das vendas externas de SC para os EUA. Serão submetidos a tarifa de 50%.
Móveis – responsáveis por 6,7% das exportações catarinenses para os EUA. O setor também está submetido à investigação da seção 232.
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