Espanha e Argentina chegam à final por caminhos diferentes; veja quem leva vantagem

O confronto reúne duas filosofias de futebol, personagens de diferentes gerações e ingredientes que apontam para uma das finais mais aguardadas dos últimos anos.

O confronto reúne duas filosofias de futebol, personagens de diferentes gerações e ingredientes que apontam para uma das finais mais aguardadas dos últimos anos.

A final da Copa do Mundo coloca frente a frente duas seleções que chegaram ao mesmo lugar jogando de maneiras bem diferentes. De um lado, a Espanha, organizada, paciente e dona da melhor defesa do torneio. Do outro, a Argentina, mais intensa, acostumada a partidas apertadas e com o ataque mais produtivo da competição.

A decisão acontece neste domingo (19), às 16h, no estádio de Nova York/Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Dois estilos de jogo

A Espanha procura controlar a partida desde a posse de bola. A equipe troca passes com velocidade, ocupa o campo adversário e tenta recuperar a bola logo depois de perdê-la. Não é mais aquele jogo excessivamente lento, baseado apenas em passes laterais. A seleção espanhola alterna momentos de paciência com acelerações pelos lados do campo.

Lamine Yamal é uma das peças que ajudam a quebrar esse ritmo. O atacante recebe aberto, parte para cima dos marcadores e cria espaços para as aproximações dos meio-campistas. No centro, Rodri organiza a saída de bola e determina a velocidade das jogadas. Ele chegou à final com 648 passes realizados, um retrato da influência que exerce no funcionamento do time.

A Argentina aceita jogar de outra maneira. A equipe de Lionel Scaloni não precisa ficar com a bola durante longos períodos para ser perigosa. Marca com intensidade, fecha os espaços pelo meio e procura acelerar assim que recupera a posse. Quando o jogo fica físico, truncado ou emocional, os argentinos parecem se sentir confortáveis.

É uma seleção menos previsível. Pode pressionar no campo adversário, recuar para atrair o rival ou transformar uma recuperação de bola em ataque poucos segundos depois. E ainda possui Lionel Messi, capaz de encontrar um passe onde aparentemente não existe espaço.

Os principais jogadores

Na Espanha, Lamine Yamal representa o desequilíbrio individual. Aos 19 anos, chega à decisão como uma das principais armas ofensivas da equipe, especialmente nos confrontos individuais pela direita. Rodri é o jogador que organiza o time, enquanto Fabián Ruiz e Dani Olmo aproximam o meio-campo do ataque. Na defesa, Pau Cubarsí ganhou destaque pela segurança apresentada durante a competição.

A Argentina continua tendo Messi como referência. Mesmo aos 39 anos, ele chegou à final com oito gols, além de participar diretamente da construção das principais jogadas ofensivas. É o jogador que diminui o ritmo para observar a movimentação dos companheiros e, de repente, acelera a partida com um passe ou uma finalização.

Ao redor dele, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister ajudam a dar intensidade ao meio-campo. Lautaro Martínez aparece como opção importante na área, enquanto Emiliano Martínez carrega a experiência de partidas decisivas, principalmente quando o confronto se aproxima de uma disputa por pênaltis.

Como foi a campanha da Espanha

A Espanha chegou à final invicta e sustentada por uma defesa quase impenetrável. Foram 13 gols marcados e apenas um sofrido em sete jogos. A equipe também alcançou a decisão com uma sequência de 37 partidas sem perder, considerando os jogos decididos no tempo normal ou na prorrogação.

No mata-mata, eliminou a Áustria por 3 a 0, nas oitavas de final, e venceu Portugal por 1 a 0 na fase seguinte. Nas quartas de final, passou pela Bélgica por 2 a 1.

A atuação mais marcante veio na semifinal. Diante da França, uma das favoritas ao título, a Espanha venceu por 2 a 0. Mais do que o placar, chamou atenção a maneira como controlou o confronto, reduziu os espaços do ataque francês e conduziu a partida praticamente do início ao fim.

Como foi a campanha da Argentina

A Argentina percorreu um caminho mais turbulento. A seleção marcou 19 gols, a maior quantidade desta Copa do Mundo e a melhor produção ofensiva de uma equipe no torneio desde os 19 gols feitos pelo Brasil em 1970.

Na primeira rodada eliminatória, venceu Cabo Verde por 3 a 2. Depois, superou o Egito pelo mesmo placar nas oitavas de final. Nas quartas, bateu a Suíça por 3 a 1.

A semifinal contra a Inglaterra resumiu bem o espírito da equipe. Em uma partida equilibrada e física, a Argentina venceu por 2 a 1, com gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, garantindo a classificação nos momentos finais. Messi participou do resultado com uma assistência.

A campanha argentina teve mais sofrimento e menos controle do que a espanhola. Em compensação, mostrou uma equipe capaz de reagir quando o jogo fica desconfortável. Dos 26 convocados, 17 já haviam participado da conquista do título mundial em 2022, uma experiência que pesa em uma decisão.

Os melhores jogos de cada seleção

Para a Espanha, a vitória por 2 a 0 sobre a França foi a apresentação mais completa. O time enfrentou um adversário poderoso, controlou a posse, pressionou com inteligência e praticamente não permitiu que os franceses desenvolvessem seu jogo.

Também merece destaque a vitória por 2 a 1 contra a Bélgica. Foi um confronto mais equilibrado e mostrou que a seleção espanhola também sabe sobreviver quando não consegue dominar todos os momentos da partida.

No caso da Argentina, a semifinal contra a Inglaterra foi o jogo mais representativo. Teve disputa física, tensão e definição no fim. A vitória mostrou novamente a capacidade argentina de permanecer competitiva mesmo quando o confronto não segue o roteiro desejado.

O duelo contra o Egito também foi importante. A Argentina encontrou dificuldades defensivas, mas conseguiu se impor ofensivamente e avançou depois de uma partida aberta, com cinco gols.

Quem é favorito?

A Espanha aparece como favorita nas principais projeções antes da decisão. O modelo estatístico da Opta calculou aproximadamente 45% de possibilidade de vitória espanhola no tempo normal, contra 26% da Argentina. As cotações das casas de apostas também apontavam vantagem da equipe europeia para levantar a taça.

Há razões objetivas para isso. A Espanha sofreu apenas um gol, controlou melhor os adversários e apresentou maior regularidade. Além disso, possui jogadores capazes de manter a posse da bola mesmo sob pressão, o que pode diminuir o tempo disponível para Messi criar jogadas.

Mas a diferença está longe de ser grande. A Argentina tem o melhor ataque do Mundial, conta com jogadores acostumados a finais e venceu as últimas 14 partidas que disputou. Também possui uma característica difícil de medir: a capacidade de transformar jogos equilibrados em vitórias, mesmo sem dominar completamente o adversário.

A Espanha parece mais preparada para controlar a final. A Argentina, porém, parece mais acostumada a sobreviver ao descontrole.

É justamente esse contraste que deixa a decisão aberta. A organização espanhola contra a intensidade argentina. A melhor defesa do Mundial diante do ataque que mais marcou. E, no centro de tudo, o encontro simbólico entre Lamine Yamal, uma das grandes novidades do futebol, e Lionel Messi, que pode disputar sua última partida em uma Copa do Mundo.


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