Escorpião-amarelo acende alerta em cidade no Vale do Itajaí após 436 capturas

Em média, agentes encontram de seis a sete animais a cada dez vistorias; quatro casos de picada já foram registrados no município.

Foto: Vitória Costa

Um ralo, uma caixa de gordura ou algumas telhas empilhadas no quintal podem parecer detalhes comuns de uma casa. Para os agentes da Vigilância Ambiental de Navegantes (SC), são justamente lugares assim que precisam ser examinados quando o assunto é escorpião-amarelo.

A procura tem sido frequente. Só neste ano, 436 escorpiões foram capturados na cidade litorânea. As equipes percorrem todos os bairros, mas concentram esforços onde a incidência é maior e o risco é considerado muito alto.

O número divulgado pela prefeitura na terça-feira (25/08/26) ajuda a entender o tamanho do alerta aparece na rotina dos agentes. Segundo a gerente da Vigilância Ambiental, Diane Assunção, a cada dez visitas, aproximadamente seis a sete escorpiões são encontrados.

E não basta olhar rapidamente o quintal.

“Durante as visitas, não deixamos passar nenhum detalhe. Verificamos desde caixas de gordura, ralos, telhas e materiais de construção. A nossa meta é reduzir os riscos antes que os problemas cheguem até as residências”, explica Diane.

Quando aparece um, a busca aperta

O primeiro escorpião encontrado em uma região muda a rotina de fiscalização naquele ponto. A Vigilância Ambiental monta uma força-tarefa e passa a fazer vistorias semanais.

Esse acompanhamento continua até que os animais deixem de ser encontrados. Só então o intervalo entre as visitas aumenta: primeiro para 15 dias, depois para um mês e, mais tarde, para um ano.

A equipe tenta acompanhar o problema desde os primeiros sinais e manter a área no radar mesmo depois que os escorpiões deixam de aparecer. “A fiscalização tem um caráter mais educativo e orientador do que punitivo. Elas são pontuais, um processo contínuo e estratégico. Nós atuamos durante o ano todo, com um calendário definido, intensificando as vistorias nos períodos chuvosos, que são quando a proliferação e relatos aumentam.”

Para combater o escorpião, é preciso olhar para as baratas

Há outro personagem nessa história que ajuda a explicar por que determinados locais atraem escorpiões: a barata. O escorpião-amarelo se alimenta delas e de pequenos insetos. Por isso, encontrar o animal e retirá-lo resolve apenas uma parte do problema. Se continuam disponíveis abrigo e alimento, permanecem as condições que favorecem sua presença.

“O objetivo não é apenas encontrar o escorpião em si, mas eliminar as condições que atraem ele, como baratas e pequenos insetos, que são a principal fonte de alimento”, afirma Diane.

É por isso que a fiscalização chega a pontos que, à primeira vista, poderiam passar despercebidos. Ralos, frestas, caixas de gordura, entulhos, telhas, tijolos, madeiras e materiais de construção entram nessa busca.

Quatro pessoas já foram picadas

Apesar das centenas de animais capturados, Navegantes registrou quatro casos de picada de escorpião neste ano. Os locais onde aconteceram os acidentes continuam na agenda da Vigilância Ambiental. A intenção é manter as visitas em intervalos curtos e acompanhar a região.

“Tivemos apenas quatro casos de picada do escorpião. Os locais estão na agenda de visita sempre para monitorarmos a área e manter esse raio de visita em curto prazo de tempo.”

Muitas vezes, quem coloca a equipe nesse caminho é o próprio morador.

“As visitas ocorrem através da sinalização do morador, quando ele encontra a espécie e entra em contato com o setor ou através da notificação compulsória, quando recebemos de alguma Unidade Básica de Saúde ou do hospital”, destaca Diane.

Foi picado? A dor costuma aparecer na hora

A picada do escorpião provoca dor imediata em praticamente todos os casos. Essa dor pode irradiar pelo membro atingido. Dormência, formigamento, vermelhidão e suor no local também podem aparecer.

A orientação diante de uma picada é direta: procurar atendimento médico hospitalar imediatamente. O tratamento é realizado com Soro Antiescorpiônico ou, quando ele não está disponível, com Soro Antiaracnídico. A aplicação deve ocorrer sob supervisão médica.

O quintal entra na prevenção

Evitar escorpiões passa por tornar a casa e seus arredores menos favoráveis à presença deles. Entulhos, telhas, tijolos e madeiras empilhadas devem ser retirados de quintais, obras e terrenos baldios. São materiais que entram na lista de atenção da Vigilância Ambiental.

Outro cuidado é fechar frestas em paredes e rodapés e proteger pontos como portas, janelas, caixas de luz, tomadas e ralos com cimento ou telas, conforme o local.

O lixo também merece atenção. A orientação é evitar que resíduos domésticos fiquem acumulados por mais de 24 horas e manter as lixeiras bem fechadas. A razão volta às baratas: se elas são atraídas, o escorpião encontra alimento.

Achou um dentro de casa?

Quem encontrar um escorpião na residência deve capturá-lo com cuidado e avisar imediatamente a Vigilância Ambiental. O setor realiza visitas periódicas em todos os bairros de Navegantes. O contato pode ser feito por telefone ou WhatsApp pelo número (47) 3185-2384.

Os 436 animais capturados mostram que o escorpião-amarelo não está restrito a um ponto isolado da cidade. E, nessa fiscalização, aquilo que parece pequeno importa: o caminho de um escorpião para dentro de casa pode começar justamente numa fresta, num ralo ou onde há alimento disponível.


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