Mesmo em pleno 2025, o racismo segue como uma realidade presente — nas falas, nos gestos e nas estruturas da sociedade. Mas é na escola, desde cedo, que se começa a mudar esse cenário. Ensinar sobre diversidade, respeito e equidade é o caminho para formar adultos mais conscientes.

A iniciativa, lançada em 2024, tem como propósito reforçar o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, incentivando práticas pedagógicas que combatem o racismo e celebram a diversidade.
As equipes foram compostas por até dez estudantes pertencentes ao mesmo ano e nível de escolaridade, regularmente matriculados no 8° ou 9° anos. Cada grupo teve de prezar a diversidade, sendo composto por pessoas de gêneros, raça e etnias diferentes – ou seja, pessoas negras, brancas, indígenas e mulheres, bem como os estudantes público-alvo da educação especial.

A olimpíada foi estruturada em diferentes etapas, que envolveram desde estudos e acesso a materiais didáticos até avaliações objetivas e discursivas. Depois, as equipes avançaram para a fase regional, com a realização de tarefas em ambiente virtual de aprendizagem.
Na etapa estadual, os estudantes desenvolveram projetos artístico-pedagógicos e textos reflexivos, enquanto na fase nacional apresentaram os resultados por meio de vídeos ou podcasts, além da entrega de uma resenha crítica.

Destaque para Blumenau
Entre as 20 melhores equipes do Brasil, duas são da rede municipal de Blumenau. A EBM Bilíngue Oscar Unbehaun (bairro Água Verde) conquistou a 18ª colocação com a equipe Apoena, coordenada pela professora Elisabete Corrêa Arcanjo. Logo na sequência, na 19ª posição, ficou a EBM João Joaquim Fronza (Testo Salto), com a equipe Fronza em Ação, sob orientação da professora Rosane Mirin Reif.
A cerimônia de premiação ocorreu na sexta-feira (29/08/25), no auditório da Furb, e reuniu representantes das escolas classificadas em nível nacional. Os estudantes receberam medalhas e certificados, enquanto as instituições foram reconhecidas com o selo de Escola Antirracista. As professoras responsáveis também receberam menções honrosas pelo trabalho desenvolvido.
Para a secretária de Educação de Blumenau, Simone Probst, a conquista representa mais do que uma colocação em ranking. “Mostra o quanto nossos estudantes e professores estão comprometidos com uma educação que valoriza a diversidade, promove a inclusão e combate o racismo”, afirmou.
Outras escolas da rede também participaram
Além das duas primeiras colocadas de Blumenau, outras sete escolas do município também chegaram à fase nacional da olimpíada. Confira a classificação:
- 130ª – EBM Bilíngue Prof. Fernando Ostermann | Mosaico Cultural | Profª Juliana Luebke
- 131ª – EBM Bilíngue Profª Alice Thiele | Pricelles Brains – Cérebro sem Preço | Profª Tauana Packer Pereira da Cunha
- 142ª – EBM Bilíngue Gustavo Richard | Gustavo Richard | Profª Ivonete das Graças dos Anjos
- 177ª – EBM Bilíngue Quintino Bocaiúva | Quintino Coletivo Kerexu | Profª Maria Elis Tolym Nuncnfonro
- 202ª – EBM Profª Adelaide Starke | Iorubás | Profª Isabela Cristina Daeuble Girardi
- 288ª – EBM Profª Zulma Souza da Silva | Faces Diversas | Profª Nicolle Santana dos Santos de Roma
- 340ª – EBM Henrique Alfarth | Malaika | Profª Eloiza da Silva Santos Machado
O bom desempenho das escolas municipais reforça o papel transformador da educação pública e o compromisso de Blumenau com uma formação que vai além dos conteúdos tradicionais — preparando os jovens para um mundo mais justo, plural e respeitoso.
PRESENÇA NA INTELECTUALIDADE BRASILEIRA
A cultura brasileira é profundamente marcada pela intelectualidade negra, que deixou um legado de genialidade e sensibilidade. Machado de Assis, considerado um dos maiores escritores da literatura mundial, fundou a Academia Brasileira de Letras e mostrou, com sua obra, a força criativa de um olhar que ultrapassa séculos. Em Santa Catarina, o poeta Cruz e Sousa consolidou-se como mestre do simbolismo, traduzindo em versos de rara intensidade a riqueza estética de sua visão de mundo. Juntos, representam a presença essencial de pensadores negros na formação da identidade nacional.
Da mesma forma, a intelectualidade indígena reafirma a diversidade de saberes que sustentam o Brasil. Ailton Krenak, escritor e ambientalista, convida à reflexão sobre a relação entre humanidade e natureza, resgatando ensinamentos ancestrais para enfrentar os desafios contemporâneos. Já Daniel Munduruku, autor de dezenas de livros, valoriza a memória e a cosmovisão dos povos originários, aproximando crianças e jovens da riqueza cultural indígena. Suas vozes ampliam a compreensão de um país plural, que se reconhece na contribuição de diferentes etnias e tradições.
















