Escolas de Blumenau ficam entre as 20 melhores do país com trabalhos de combate ao racismo

"Estamos no caminho certo ao investir em práticas pedagógicas que formam cidadãos conscientes e justos”, afirmou a secretária de Educação do município.

Foto: Marcelo Martins [PMB]

Mesmo em pleno 2025, o racismo segue como uma realidade presente — nas falas, nos gestos e nas estruturas da sociedade. Mas é na escola, desde cedo, que se começa a mudar esse cenário. Ensinar sobre diversidade, respeito e equidade é o caminho para formar adultos mais conscientes.

Foto: Marcelo Martins [PMB]
E foi justamente esse esforço que levou nove escolas de Blumenau ao reconhecimento nacional na 1ª edição da Olimpíada Brasileira de Relações Étnico-Raciais, Afro-Brasileiras, Africanas e Indígenas (Obereri).

A iniciativa, lançada em 2024, tem como propósito reforçar o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, incentivando práticas pedagógicas que combatem o racismo e celebram a diversidade.

As equipes foram compostas por até dez estudantes pertencentes ao mesmo ano e nível de escolaridade, regularmente matriculados no 8° ou 9° anos. Cada grupo teve de prezar a diversidade, sendo composto por pessoas de gêneros, raça e etnias diferentes – ou seja, pessoas negras, brancas, indígenas e mulheres, bem como os estudantes público-alvo da educação especial.

 

Foto: Marcelo Martins [PMB]

A olimpíada foi estruturada em diferentes etapas, que envolveram desde estudos e acesso a materiais didáticos até avaliações objetivas e discursivas. Depois, as equipes avançaram para a fase regional, com a realização de tarefas em ambiente virtual de aprendizagem.

Na etapa estadual, os estudantes desenvolveram projetos artístico-pedagógicos e textos reflexivos, enquanto na fase nacional apresentaram os resultados por meio de vídeos ou podcasts, além da entrega de uma resenha crítica.

 

Foto: Marcelo Martins [PMB]

Destaque para Blumenau

Entre as 20 melhores equipes do Brasil, duas são da rede municipal de Blumenau. A EBM Bilíngue Oscar Unbehaun (bairro Água Verde) conquistou a 18ª colocação com a equipe Apoena, coordenada pela professora Elisabete Corrêa Arcanjo. Logo na sequência, na 19ª posição, ficou a EBM João Joaquim Fronza (Testo Salto), com a equipe Fronza em Ação, sob orientação da professora Rosane Mirin Reif.

A cerimônia de premiação ocorreu na sexta-feira (29/08/25), no auditório da Furb, e reuniu representantes das escolas classificadas em nível nacional. Os estudantes receberam medalhas e certificados, enquanto as instituições foram reconhecidas com o selo de Escola Antirracista. As professoras responsáveis também receberam menções honrosas pelo trabalho desenvolvido.

Para a secretária de Educação de Blumenau, Simone Probst, a conquista representa mais do que uma colocação em ranking. “Mostra o quanto nossos estudantes e professores estão comprometidos com uma educação que valoriza a diversidade, promove a inclusão e combate o racismo”, afirmou.

Outras escolas da rede também participaram

Além das duas primeiras colocadas de Blumenau, outras sete escolas do município também chegaram à fase nacional da olimpíada. Confira a classificação:

  • 130ª – EBM Bilíngue Prof. Fernando Ostermann | Mosaico Cultural | Profª Juliana Luebke
  • 131ª – EBM Bilíngue Profª Alice Thiele | Pricelles Brains – Cérebro sem Preço | Profª Tauana Packer Pereira da Cunha
  • 142ª – EBM Bilíngue Gustavo Richard | Gustavo Richard | Profª Ivonete das Graças dos Anjos
  • 177ª – EBM Bilíngue Quintino Bocaiúva | Quintino Coletivo Kerexu | Profª Maria Elis Tolym Nuncnfonro
  • 202ª – EBM Profª Adelaide Starke | Iorubás | Profª Isabela Cristina Daeuble Girardi
  • 288ª – EBM Profª Zulma Souza da Silva | Faces Diversas | Profª Nicolle Santana dos Santos de Roma
  • 340ª – EBM Henrique Alfarth | Malaika | Profª Eloiza da Silva Santos Machado

O bom desempenho das escolas municipais reforça o papel transformador da educação pública e o compromisso de Blumenau com uma formação que vai além dos conteúdos tradicionais — preparando os jovens para um mundo mais justo, plural e respeitoso.

PRESENÇA NA INTELECTUALIDADE BRASILEIRA

A cultura brasileira é profundamente marcada pela intelectualidade negra, que deixou um legado de genialidade e sensibilidade. Machado de Assis, considerado um dos maiores escritores da literatura mundial, fundou a Academia Brasileira de Letras e mostrou, com sua obra, a força criativa de um olhar que ultrapassa séculos. Em Santa Catarina, o poeta Cruz e Sousa consolidou-se como mestre do simbolismo, traduzindo em versos de rara intensidade a riqueza estética de sua visão de mundo. Juntos, representam a presença essencial de pensadores negros na formação da identidade nacional.

Da mesma forma, a intelectualidade indígena reafirma a diversidade de saberes que sustentam o Brasil. Ailton Krenak, escritor e ambientalista, convida à reflexão sobre a relação entre humanidade e natureza, resgatando ensinamentos ancestrais para enfrentar os desafios contemporâneos. Já Daniel Munduruku, autor de dezenas de livros, valoriza a memória e a cosmovisão dos povos originários, aproximando crianças e jovens da riqueza cultural indígena. Suas vozes ampliam a compreensão de um país plural, que se reconhece na contribuição de diferentes etnias e tradições.

 

Foto: Marcelo Martins [PMB]
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