Equipe com aluno da UFSC Blumenau cria ferramenta com AI e vence desafio global na Áustria

Ele fez de parte de uma equipe de três pessoas no projeto BAM AI, que identifica o engajamento de estudantes nas aulas em tempo real.

Foto: Divulgação IT:U

Breno Lucas da Silva Soares, estudante de Licenciatura em Matemática da UFSC Blumenau, conquistou um dos prêmios do DigiEduHack 2025, competição internacional promovida pela União Europeia com foco em soluções para o futuro da educação digital.

Único estudante de graduação entre mestrandos e doutorandos, ele integrou a equipe vencedora do hackathon “Empowering Education Through Intelligent Analytics”, realizado em Linz, na Áustria, pela Interdisciplinary Transformation University (IT:U) — instalada no science park da renomada Johannes Kepler University (JKU).

Foto: Divulgação IT:U

O projeto premiado chama-se BAM AI — nome formado pelas iniciais de Breno, Amir Ansari (da IT:U Áustria) e Mafaza Nazar (da GÜ, Turquia), além da sigla em inglês para Inteligência Artificial. A proposta é um painel inteligente que, durante as aulas, monitora sinais de engajamento dos alunos em tempo real.

A ferramenta cruza dados da plataforma de ensino (LMS), sensores de smartphones e dispositivos IoT para identificar quedas de atenção. Quando isso ocorre, o sistema envia alertas ao professor, ativa check-ins com os alunos (como microenquetes) e gera relatórios com os momentos de menor envolvimento. O objetivo: permitir que o docente adapte suas estratégias com base em dados concretos, e não apenas em percepções subjetivas.

Foto: Divulgação IT:U

A equipe recebeu mil euros e uma vaga na etapa mundial do DigiEduHack, que ainda não tem data definida. A trajetória que levou Breno até a Áustria começou com a Iniciação Científica, orientada pelo professor Jorge Cássio Costa Nóbriga, na qual ele aprofundou estudos em Educação e Educação Matemática. Em uma escola de verão na Universidad Tecnológica Nacional (UTN), na Argentina, conheceu o professor Zsolt Lavicza, referência em Realidade Aumentada, e a professora Carla Barreiros, da IT:U, que o convidou a se inscrever no desafio.

Já em 2025, Breno também participou de projetos de extensão com o professor Guilherme Wagner, e deve seguir no caminho acadêmico com o ingresso no mestrado. A experiência no evento, segundo ele, ampliou sua visão sobre tendências tecnológicas e pesquisa em educação na Europa.

“Desembarquei achando que seria apenas pela vivência, já que era meu primeiro evento com essa abordagem. Não imaginei que voltaria com o prêmio e estaria representando minha universidade no mundial”, contou.

O DigiEduHack 2025 ocorreu entre 7 e 16 de novembro, com mais de 80 hackathons simultâneos ao redor do mundo, reunindo mais de 2.400 participantes. O evento mobiliza estudantes, educadores e pesquisadores para desenvolver soluções voltadas à acessibilidade, inclusão, segurança digital, sustentabilidade e alfabetização tecnológica. Desde sua criação, em 2019, mais de 10 mil pessoas já participaram da iniciativa, que resultou em mais de 1.300 projetos de impacto global.

No meio disso tudo, um estudante do interior de Santa Catarina mostrou que inovação também fala português — e que o Brasil tem voz ativa na construção do futuro da educação digital.

Com informações de Daiana Martini, da UFSC de Blumenau