Entrevista: os bastidores de uma ópera que envolve aproximadamente 150 pessoas

Matheus Alborghetti fala sobre a obra composta em 1850 que chegou ao Teatro Carlos Gomes, onde a orquestra volta a utilizar o fosso, recurso visto poucas vezes em apresentações na cidade.

Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]

Uma voz capaz de alcançar a última fileira do teatro sem microfone. Uma orquestra tocando ao vivo. Figurinos, iluminação, cenário, interpretação e música se encontrando no mesmo espaço. Para muita gente, a ópera ainda parece um universo distante. Mas será que é mesmo?

Essa é uma das questões abordadas na entrevista que o portal OBlumenauense realizou com o pianista e produtor cultural Matheus Alborghetti, idealizador do projeto Harmonia Italiana. A conversa aconteceu na tarde de terça-feira (3/06/26), dentro do Teatro Carlos Gomes, em Blumenau, poucos dias antes das apresentações que marcam o retorno de uma ópera completa ao palco da cidade após mais de duas décadas.

Foto: divulgação

Ao longo da entrevista, Matheus explica como nasceu o projeto, que teve origem a partir da montagem de Rigoletto apresentada no Festival de Ópera de Joinville em 2024. A partir dali surgiu a ideia de trazer a obra para Blumenau e aproveitar uma característica pouco conhecida do Teatro Carlos Gomes: o fosso da orquestra, estrutura tradicional das grandes casas de ópera e que será utilizada novamente nesta produção.

Mas é importante destacar o papel do jornalista Rodrigo Ramos, principal articulador por trazer a montagem de Rigoletto para Blumenau. Ele assistiu ao espetáculo em Joinville e iniciou as conversas que resultaram na realização do projeto.

A entrevista com Matheus também ajuda a desmistificar o gênero. Afinal, o que é uma ópera? É uma peça de teatro cantada? É um concerto? Segundo Matheus, a resposta passa pela união de diversas formas de arte. Música, literatura, interpretação, artes visuais, figurino e canto lírico se encontram para contar uma história de maneira diferente daquela que o público está acostumado a ver no cinema ou na televisão.

Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
Outro tema que chama atenção é a relação entre a ópera e o público contemporâneo. Em uma época marcada por vídeos curtos, plataformas de streaming e consumo instantâneo de conteúdo, por que obras criadas no século XIX continuam despertando interesse? Durante a entrevista, Matheus fala sobre a força das emoções transmitidas ao vivo e sobre o impacto que a combinação entre vozes, coro e orquestra ainda provoca em quem assiste, mesmo sem conhecer profundamente o universo da música clássica.

Fosso onde fica a orquestra que toca ao vivo durante a ópera | Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]
O entrevistado também comenta a escolha de Rigoletto, uma das obras mais conhecidas de Giuseppe Verdi. A trama gira em torno de um bobo da corte, uma maldição, um pai disposto a proteger a filha e uma série de acontecimentos que levam a um desfecho trágico. Segundo ele, o sucesso duradouro da obra está justamente na forma como Verdi construiu personagens cheios de contradições e conflitos humanos, capazes de gerar identificação até hoje.

A ópera foi escrita ao longo dos últimos meses de 1850 e concluída no início de 1851. Sua estreia triunfal aconteceu no dia 11 de março de 1851, no Teatro La Fenice, em Veneza.

Quem assistir ao vídeo também conhecerá curiosidades sobre a preparação dos artistas, o trabalho do pianista correpetidor — função exercida por Matheus — e a dimensão de uma produção desse porte. Somando músicos, coralistas, solistas, bailarinos, técnicos, produção, maquiagem, figurino e demais profissionais, cerca de 150 pessoas participam do projeto.

Foto: divulgação

Apresentações

O projeto Harmonia Italiana está sendo realizado no Teatro Carlos Gomes, em Blumenau.

A ópera Rigoletto, de Giuseppe Verdi, foi apresentada na noite de sexta-feira (5/06/26) e a próxima será às 18h de domingo (7). Já neste sábado (6/06/26), acontece a Gala Lírica, espetáculo que reúne árias, duetos e conjuntos de obras consagradas da tradição operística italiana, acompanhados ao piano por Matheus Alborghetti.

Entre os destaques do elenco estão o barítono Douglas Hahn no papel de Rigoletto, Carla Domingues como Gilda e Paulo Mandarino como o Duque de Mântua. A direção musical é do maestro italiano Alessandro Sangiorgi, enquanto a direção cênica está a cargo de Antônio Cunha. A produção conta ainda com a participação da Blumenau Filarmônica, coro lírico, corpo de baile e dezenas de profissionais envolvidos na montagem.

A entrevista completa pode ser assistida no vídeo abaixo.

 

ELENCO – RIGOLETTO

  • Douglas Hahn — Rigoletto (Barítono)
  • Carla Domingues — Gilda (Soprano)
  • Paulo Mandarino — Duque de Mântua (Tenor)
  • Cíntia Graton — Maddalena (Mezzo-soprano)
  • Andrey Mira — Sparafucile (Baixo)
  • Karolyne Liesenberg — Condessa Ceprano / Giovanna (Soprano)
  • Thiago Montero — Conde Monterone (Barítono)
  • Vitorio Scarpi — Borsa (Tenor)
  • Julián Lisnichuk — Marullo (Barítono)
  • Divonei Scorzato — Sr. Ceprano (Barítono)
  • Maria Júlia Peixer — Pajem (Soprano)
  • Maioi Bacca — Filha do Conde Monterone

DIREÇÃO E PRODUÇÃO ARTÍSTICA

  • Matheus Alborghetti — Pianista, Diretor-Geral e Proponente
  • Alessandro Sangiorgi — Maestro e Direção Musical
  • Antônio Cunha — Direção Cênica

ORQUESTRA – BLUMENAU FILARMÔNICA

  • Diretor artístico e maestro: Lucas Araujo
  • Assistente de produção e arquivista: Sabyne Eggert
  • Primeiros violinos: Renan Vitoriano, Felipe Chaga, Sávio Chagas, Aleksandro Maciel
  • Segundos violinos: Heitor Gemaiel, Allan Jordam, Wesley de Lima
  • Violas: Paulo Gonçalves, Pedro Bernardo, Jhonathan Silva
  • Violoncelos: Samuel Portes, Daniel Frauzino
  • Contrabaixo: Nicolas Setnarsky
  • Flauta: Ana Gaigalas
  • Oboé: Lucas Sanches
  • Clarinete: Evandro Machado
  • Fagote: Mauro Junior
  • Trompas: Ralyton Almeida, Dania Fonseca
  • Trompete: Fernando Mattos
  • Percussão: Rafael Stori, Ivan Souza Lemes

CÔRO LÍRICO

  • Preparador vocal: Alexandre Mousquer
  • Tenor I: Anderson Santana, Pedro Nunes, Yago Strugulske
  • Tenor II: Omar Dal Posso, Ricardo Haas, Rodrigo Costa
  • Baixo I: Fábio Pinheiro, Roberto Guimarães, Vagner Andreata
  • Baixo II: Caio Nascimento, Leonardo Rankel, Guilherme Empke
  • Correpetidora: Priscila Malanski

CORPO DE BAILE

  • Volkstanzgruppe Grünes Tal
  • Coordenação: João Paulo Wust

Imagens dos bastidores no dia da gravação da entrevista, gentilmente enviadas por Rodrigo Ramos,

Foto: Rodrigo Ramos
Foto: Rodrigo Ramos
Foto: Rodrigo Ramos
Foto: Rodrigo Ramos
Foto: Rodrigo Ramos
Foto: Rodrigo Ramos
Foto: Rodrigo Ramos

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