sábado, 16 outubro 2021
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Enfrentar a crise sem mexer no quadro de funcionários é possível?

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Especialistas do Núcleo de DHO da Acib apontam soluções para evitar conflitos e desgastes nas empresas quando o assunto é enxugar custos

Texto: Cristiane Soethe Zimmermann 

Os últimos números divulgados pelo IBGE apontam que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,9%, em junho. A situação preocupa contratantes e funcionários. Uma pesquisa recente da ABRH-SC indica que 70% dos liderados estão apreensivos pela manutenção dos seus empregos. Porém, segundo gestores de Recursos Humanos, é possível contornar uma situação econômica desfavorável mantendo o quadro de funcionários. Como conseguir isso?

Reavaliando o orçamento e processos operacionais com o intuito de reduzir custos e desperdícios. “As pessoas são essenciais para a empresa, e estas devem ser o último ‘recurso’ a ser alterado”, afirma a supervisora de RH e integrante do Núcleo de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO) da Acib, Janice Magierski Kepler.

Na opinião da gestora de Desenvolvimento Humano e Organizacional, Mary Silva, nessa situação é importante o empresário ter conhecimentos plenos dos seus custos e certificar-se que as ações de redução serão suficientes para manter o quadro de funcionários. “Como, por exemplo, zerar férias vencidas, negociar férias coletivas, rever jornada de trabalho, otimizar os benefícios, negociar com os fornecedores, entre outras ações”, explica.

Neste momento, o papel das lideranças é fundamental, atuando como orientadoras e motivadoras. “A liderança precisa abrir um diálogo claro e objetivo com o colaborador. Apresentar a situação da empresa, as dificuldades, as ameaças do ambiente, bem como as possíveis ações e estratégias para o enfrentamento de toda essa turbulência faz-se essencial. Essa transparência proporciona um ambiente de confiança, estimula a corresponsabilidade e pode promover até mesmo a inovação”, afirma Janice. Na opinião da especialista, é importante também aproveitar este momento para identificar oportunidades de treinamentos internos, integrações e polivalência entre funções.

A área de DHO é outra peça imprescindível para apoiar essas mudanças. “A área de RH ou DHO precisa direcionar seus líderes e principais executivos, criar um clima propício e fortalecer as alternativas de gestão como: capacitação, revisão de processos, análise dos papéis da liderança, redução de custos, automatizar o que for possível, reduzir burocracias e estimular as equipes para que elas solucionem os problemas e desenvolvam ações que se revertam em aumento da produtividade através da informação, fazendo com que todos entendam que fazem parte do processo e podem sempre contribuir para uma mudança positiva”, acrescenta Mary.

Algumas das soluções encontradas pelas empresas atualmente são alteração no horário de trabalho (obedecendo a mesma carga horária semanal) para redução de energia, férias individuais ou coletivas, revisão do orçamento, feriados prolongados para compensação futuras. “Há alternativas. Porém, é preciso avaliar aquelas que se enquadram melhor em cada empresa, de acordo com suas especificidades”, sugere Janice Kepler.

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