quinta-feira, 2 dezembro 2021
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Empresa oferece cursos de Libras para integrar colaborador com deficiência auditiva, em Blumenau

 

Quando entrou no time da HBSIS, Jean Carlos Paes não sabia que os colegas tinham aprendido a linguagem de sinais para que ele se sentisse integrado. No estado, só 47% das vagas dedicadas a pessoas com deficiências estão preenchidas.

Aos 32 anos, Jean Carlos Paes está no seu segundo emprego na área de tecnologia. Mas é o primeiro onde realmente se sente parte do time. Há dois anos começou a trabalhar como assistente de infraestrutura da HBSIS, empresa de tecnologia de Blumenau (SC). Nos primeiros dias, descobriu que 35 pessoas tinham feito o curso de Libras para que o deficiente auditivo pudesse se integrar. Mal sabia ele que o projeto teve mais de 70 interessados em participar.

A segunda turma de Libras já começou as aulas na empresa, que hoje passa dos 580 colaboradores em quatro unidades. A ideia é ter profissionais em todos os setores que estejam capacitados para se comunicar com Jean e com outros quatro profissionais como ele já contratados depois da sua entrada.

Em Santa Catarina, dos cerca de 40 mil postos de trabalho dedicados a esses profissionais, apenas 18,5 mil estão preenchidos de acordo com o Ministério do Trabalho. Empresas com mais de 100 colaboradores precisam dedicar de 2% a 5% das vagas para PCDs. De acordo com Franciele Koch, do DHO da HBSIS, o desafio não é apenas contratar, mas manter esses profissionais integrados e engajados.

“Tenho um amigo que é surdo e também trabalha numa empresa de tecnologia. Ele me relata o mesmo isolamento que eu sentia antes da HBSIS. Fico surpreso e muito feliz por saber que esse tipo de preocupação existe. Só me faz ter mais vontade de crescer profissionalmente aqui”, relata Jean.

O coordenador de infraestrutura da HBSIS, Fernando Michels, nunca tinha trabalhado com alguém com deficiência. “Pensei que seria difícil conseguirmos manter o ritmo, já que a tecnologia é uma área que tem mudanças rápidas e que precisam de fluidez na equipe. Tanto o Jean quanto o time souberam quebrar a barreira da comunicação com esforço dos dois lados”, aponta.

Michels se comunica de uma forma tranquila em Libras, embora não se considere em nível avançado. “O processo de aprendizado é o mesmo de qualquer outra língua: exige dedicação e aplicação. A vantagem na HBSIS foi ter um grupo que estava envolvido e conseguimos praticar com o Jean no dia a dia”, acrescenta.

O Blumenauense
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