El Niño muda cenário do inverno e pode elevar temperaturas no Brasil

Fenômeno já confirmado pela NOAA tende a reduzir o avanço de frentes frias e aumentar o volume de chuva em parte do país.

Foto: Ricardo Wolffenbüttel [Secom]

O inverno começou com uma característica que deve marcar a estação em boa parte do Brasil: temperaturas acima do que normalmente se espera para o período. A influência vem do El Niño, fenômeno climático que teve seu início confirmado pela Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (NOAA).

Conhecido por provocar alterações no clima em diferentes regiões do planeta, o El Niño ocorre quando as águas da faixa equatorial do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o habitual. O nome surgiu entre pescadores do Peru e do Equador, que associaram esse aquecimento ao Niño Jesus, ou Menino Jesus.

Na prática, os reflexos podem ser sentidos principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Melquizedek Rafael Duarte da Silva, o fenômeno cria uma espécie de barreira atmosférica próxima ao estado de São Paulo.

Com isso, as frentes frias encontram mais dificuldade para avançar pelo país. O resultado é um inverno com menos episódios de frio intenso em comparação com anos anteriores. “A gente pode não ter um inverno tão frio quanto a gente já teve”, afirma o especialista.

Além da elevação das temperaturas em algumas áreas, o El Niño também aumenta a possibilidade de chuva no Sul do Brasil. A região já costuma registrar precipitações durante o inverno, mas a atuação do fenômeno pode reforçar esse comportamento.

De acordo com Silva, há risco de eventos extremos, com grandes volumes de chuva concentrados em curtos períodos de tempo. Esse cenário pode agravar situações já comuns na estação.

Apesar dessas tendências, prever exatamente a intensidade e a duração dos impactos ainda é um desafio. O meteorologista explica que o avanço do aquecimento global e das mudanças climáticas tem tornado as previsões de longo prazo mais complexas.

Segundo ele, períodos de calor, estiagem ou chuva têm apresentado comportamentos diferentes dos observados no passado. Fenômenos que antes duravam entre dois e três meses podem se estender por quatro ou cinco meses, alterando a dinâmica climática e dificultando projeções feitas com muita antecedência.

Enquanto os efeitos do El Niño chamam atenção, o próprio inverno tem uma explicação ligada à posição da Terra em relação ao Sol. A estação ocorre quando uma parte do planeta recebe menos radiação solar.

Neste período, o Hemisfério Sul, onde está o Brasil, recebe menor incidência de luz solar, enquanto o Hemisfério Norte vive o verão e recebe mais radiação.

Por causa da grande extensão territorial brasileira, o inverno não é percebido da mesma forma em todas as regiões. No município de Chuí, no Rio Grande do Sul, extremo sul do país, o Sol nasce por volta das 7h30 e se põe perto das 17h30 durante a estação, fazendo com que os dias tenham menos de dez horas de luz.

Já em Macapá, cidade localizada exatamente sobre a Linha do Equador, a situação é diferente. O Sol costuma nascer por volta das 6h15 e se pôr às 18h15 durante todo o ano. Como resultado, as estações não são tão bem definidas na capital amapaense, e os horários variam apenas alguns minutos ao longo dos meses.

Com informações da Agência Brasil


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