El Niño ganha força e pode ficar entre os mais intensos desde 1950, alerta NOAA

Fenômeno aumenta o risco de chuva acima da média, temporais e deslizamentos em Santa Catarina nos próximos meses.

Foto: Roberto Zacarias [Secom/GOVSC]

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico segue acelerando e acendeu um novo alerta para Santa Catarina. A atualização divulgada em 9 de julho (2026) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 81% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão no Hemisfério Sul.

A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SDC/SC) informou que acompanha de forma permanente a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos no estado. O relatório mais recente mostra que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial passou de +0,7°C em junho para +1,2°C em julho, confirmando a intensificação gradual do El Niño.

Além do aumento da temperatura da superfície do mar, a atmosfera continua respondendo de forma compatível com a atuação do fenômeno. Esse é um dos fatores usados para confirmar seu desenvolvimento.

A previsão indica que o aquecimento continuará aumentando ao longo do inverno e deve alcançar forte intensidade até o fim da estação. O pico é esperado entre outubro e dezembro. Segundo a NOAA, se esse cenário se confirmar, o episódio poderá ficar entre os mais intensos desde o início dos registros, em 1950.

Popularmente conhecido como Super El Niño, esse tipo de evento ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial atingem aquecimento igual ou superior a 2°C em relação à média histórica.

Embora um El Niño muito forte não provoque exatamente os mesmos efeitos em todas as regiões, ele aumenta de forma significativa a probabilidade de condições típicas associadas ao fenômeno, como chuva acima da média, temporais mais frequentes e eventos meteorológicos de maior impacto.

Em Santa Catarina, a previsão climática de médio prazo já aponta aumento da intensidade das chuvas nas próximas semanas. Com a chegada da primavera, esse cenário tende a se intensificar, elevando o risco de temporais, chuva intensa, alagamentos, enxurradas e deslizamentos em diferentes regiões do estado.

A Defesa Civil estadual mantém monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas em conjunto com a Epagri/Ciram e as instituições que integram o Fórum Climático Catarinense. O objetivo é acompanhar a evolução do fenômeno, atualizar as previsões e emitir avisos e alertas sempre que houver risco para a população.

O órgão orienta que a população acompanhe os boletins meteorológicos, as previsões e os avisos oficiais, principalmente durante os períodos com previsão de chuva intensa e temporais.

 

Ilustração: OBlumenauense

Como o El Niño se forma

O El Niño é resultado da interação entre oceano e atmosfera. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial altera o comportamento dos ventos e provoca efeitos em diferentes partes do planeta. No Brasil, os impactos mais conhecidos são a redução das chuvas em parte da Região Norte e o aumento da frequência e do volume das precipitações na Região Sul.

O monitoramento considera diferentes áreas do Pacífico Equatorial, conhecidas como Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4. O fenômeno é caracterizado quando a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 permanece pelo menos 0,5°C acima da média climatológica.

A avaliação, porém, não depende apenas da temperatura do oceano. Também são analisados sinais consistentes de resposta da atmosfera ao aquecimento e a previsão de manutenção dessas condições nos meses seguintes.

Historicamente, a confirmação de um episódio consolidado exige que esse aquecimento persista por alguns meses consecutivos. A análise conjunta desses fatores, no entanto, permite identificar o desenvolvimento do fenômeno antes mesmo de sua consolidação, ampliando o tempo disponível para ações preventivas.

Ainda assim, a intensidade final do El Niño dependerá do quanto o Pacífico Equatorial continuará aquecendo nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera responderá a esse aquecimento.

Como receber alertas

Além das atualizações no site e nas redes sociais, a Defesa Civil de Santa Catarina envia avisos por SMS, pelo canal nacional no WhatsApp e pelo sistema Defesa Civil Alerta, via Cell Broadcast. Para receber os avisos por SMS, basta enviar o CEP para o número 40199. No WhatsApp, o cadastro pode ser feito pelo número (61) 2034-4611.

O órgão também recomenda que cada família tenha um Plano Emergencial Familiar. Em caso de avisos de chuva intensa, a orientação é não atravessar áreas alagadas, nem a pé nem de carro. Se houver sinais de deslizamentos, como fendas no solo, muros estufados ou árvores inclinadas, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. Com a primavera se aproximando, o monitoramento ganha ainda mais importância.

Fonte: Governo de Santa Catarina


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